sexta-feira, 4 de setembro de 2009

BRADESCO: REJEITA OFERTA DE EIKE

O Bradesco disse não ao empresário Eike Batista. A proposta de compra da participação acionária que o banco tem na Vale, apresentada por Eike semanas atrás, foi recusada na sexta-feira. Se fosse bem-sucedida, a operação levaria o empresário ao grupo de controle da mineradora. Contando a oferta aos acionistas minoritários, ele calculava gastar cerca de R$ 9 bilhões. A direção do Bradesco disse a Eike que está satisfeita com o retorno proporcionado pela Vale e que não tem interesse em se desfazer da posição. Intermediada pelo banqueiro André Esteves, do grupo financeiro BTG, a operação tinha a simpatia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que acompanha a evolução dos acontecimentos de perto. Trata-se de um apoio importante, em razão da grande influência do governo na Vale - por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), acionistas da mineradora. A aproximação entre Eike e o Bradesco foi feita por André Esteves. Amigo do empresário, Esteves tem acesso a Lázaro Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco. Mas seus principais contatos são ex-executivos do BCN (comprado pelo Bradesco nos anos 90), como os vice-presidentes José Luiz Acar Pedro e Júlio Araújo. O plano de Eike era comprar a Bradespar, empresa que reúne os ativos não financeiros do Bradesco. É por meio dessa empresa que o banco participa do bloco de controle da Vale, junto com um grupo de fundos de pensão de empresas estatais liderado pela Previ, com o BNDES e com o grupo japonês Mitsui. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Eike não quis comentar a operação. O Bradesco avaliou a proposta de Eike, mas parte da diretoria ficou aborrecida com a investida. Ela ocorreu num momento em que Agnelli - que é indicação do Bradesco - e o próprio banco vinham sendo pressionados a investir na construção de usinas siderúrgicas localizadas em Estados governados por aliados do governo, como o Pará e o Espírito Santo. Para executivos que participam do processo, setores do governo disseminaram a ideia de que Agnelli e o Bradesco seriam obstáculos a uma atuação mais “flexível” da mineradora. A evolução do negócio com Eike seria uma forma de tirar o Bradesco da Vale. Outra ideia cogitada, mas que não evoluiu, foi a criação de um fundo de empresas nacionais para comprar a participação do Bradesco

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