terça-feira, 6 de abril de 2010

Estrangeiros 'colocaram' R$ 3,15 bilhões na Bovespa em março

No acumulado do ano, saldo do investidor não residente segue negativo.
Pessoas físicas saíram do 1º lugar na lista de participação na bolsa.
Pela primeira vez em 2010, o saldo da atuação do investidor estrangeiro na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ficou positivo no fechamento do mês, ao atingir R$ 3,151 bilhões em março. O resultado, o maior desde setembro de 2009 (R$ 4,036 bilhões), ajuda a explicar a valorização de 5,82% do Ibovespa no período.
Contribuindo também para a alta do Ibovespa em março, os investidores institucionais apresentaram compras R$ 147,46 milhões maiores do que as vendas no mesmo período. O resultado, entretanto, foi bem menor que o de fevereiro (R$ 1,686 bilhão).
Por outro lado, as pessoas físicas seguem como as principais vendedoras. Os pequenos investidores ampliaram o saldo negativo de R$ 495,5 milhões em fevereiro para R$ 2,076 bilhões em março.
No último mês, as pessoas físicas deixaram de ocupar o primeiro lugar na lista de participação na Bovespa, ao responder apenas por 30,66% de todas as compras e vendas no período. Os investidores institucionais passaram a contar com a maior representação, com 31,39% do total. Em terceiro lugar, seguiram os estrangeiros, com 25,81%.
Apenas na última semana de março, que contou com três dias, o investidor internacional colocou R$ 596,17 milhões na Bovespa. Somente na quarta-feira, quando o Ibovespa avançou 0,59%, as compras dos estrangeiros superaram as vendas em R$ 182,18 milhões.
No acumulado do ano, o saldo do investidor não residente segue negativo, em R$ 204 milhões. Vale notar que as vendas dos estrangeiros superaram as compras em R$ 2,1 bilhões em janeiro e em R$ 1,255 bilhão em fevereiro.

Bovespa deve bater recorde histórico em abril, prevê Austin Rating

A Bovespa deverá superar em abril o recorde histórico de 73.516 pontos, registrada em maio de 2008, e chegar aos 90 mil pontos até o fim do ano.
Segundo análise de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, uma sequencia de seis pregões de alta de 0,5% já coloca a bolsa brasileira em novo patamar histórico.
“A recuperação da Bovespa reforça o sentimento de que a crise foi enterrada e virou história”, disse Agostini.
Para ele, a previsão de alta é reforçada com a alta nos preços das commodities, em especial o minério de ferro e o petróleo.
Além disso, na opinião do economista, indicadores nos Estados Unidos e Europa já começam a sinalizar maior estabilidade nas economias desenvolvidas.
“O que poderemos ter são ruídos, como o que aconteceu com Dubai e Grécia. Mas, mesmo estes já foram superados pelo mercado financeiro”, afirmou.

Bolsa de SP atinge maior nível desde 2008

No último dia de negócios da semana, a BM&FBovespa retomou um patamar que não atingia desde antes da intensificação da crise financeira de 2008. Ontem o índice Ibovespa, o principal do mercado local, fechou com 71.136 pontos, após alta de 1,09%, e alcançou seu pico em quase 22 meses.
No segmento de câmbio, o dólar perdeu força e terminou cotado a R$ 1,769, depois de recuar 0,67% diante do real.
A Bolsa brasileira acompanhou o cenário de ganhos que marcou os principais centros acionários do mundo. Números consistentes de atividade manufatureira na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos trouxeram otimismo e alimentaram as compras de ações.
A Europa, animada com indicadores industriais fortes, se destacou, com as ações da maioria das grandes companhias em alta. A Bolsa de Frankfurt subiu 1,33%, e a de Londres, 1,15%. O FTSEurofirst 300, índice que reúne as principais ações da Europa, alcançou o máximo em 18 meses.
"Vários dados econômicos, com destaque para os de atividade manufatureira, ajudaram a dar ânimo aos investidores", diz Pedro Galdi, chefe de análise da corretora SLW.
O índice de atividade manufatureira na zona do euro alcançou em março seu mais elevado patamar em 40 meses. Apenas a Grécia decepcionou, sendo o único país da zona do euro a apresentar retração. Sua produção industrial sofreu, no mês passado, o recuo mais expressivo desde abril de 2009.
Já os EUA anunciaram que sua atividade manufatureira cresceu pelo oitavo mês consecutivo. Em Wall Street, o índice Dow Jones subiu 0,65%. A Nasdaq teve alta de 0,19%.
"Se não houver nenhuma surpresa desagradável, as Bolsas de Valores tendem a dar continuidade à sua recuperação na próxima semana. No caso da Bolsa brasileira, podemos até vê-la rumo aos 73 mil pontos", afirma Galdi.

Ásia ajuda
A China também foi palco de apresentação de dados industriais animadores, o que favoreceu os resultados das Bolsas na Ásia. A Bolsa de Xangai teve alta de 1,23%. Em Tóquio, o índice Nikkei ganhou 1,39%.
"Os dados da China também estimularam a compra por commodities. Tanto petróleo como commodities metálicas terminaram com apreciação, o que ajudou a Bolsa brasileira a superar os 71 mil pontos", afirma o analista da SLW. Nos EUA, o petróleo fechou ontem em US$ 84,87 o barril, o maior valor desde outubro de 2008.
A ação preferencial "A" da Vale, a mais negociada do dia, foi responsável por 13% de toda a movimentação do pregão. Seu papel PNA teve alta de 0,80%, e o ON, de 1,01%. A empresa informou ontem que chegou a acordo com a maioria de seus clientes para fazer o reajuste trimestral dos preços do minério de ferro. Para a ação preferencial da Petrobras, o resultado foi de valorização de 1,01%.
Como a BM&FBovespa estará fechada hoje, profissionais do mercado esperavam que o pregão de ontem fosse mais morno. Mas o volume financeiro movimentado pelos investidores alcançou os R$ 6,01 bilhões, ficando dentro da média diária deste ano.
Com o cenário internacional favorável, os investidores estrangeiros marcaram presença no pregão local, mantendo o forte ritmo das últimas semanas. Em março, até o dia 30, R$ 2,97 bilhões líquidos em capital externo foram destinados à compra de ações brasileiras -o melhor resultado mensal desde setembro de 2009.
Na semana mais curta, o índice Ibovespa acumulou valorização de 3,57%.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Siderúrgicas reagem a aumento do minério

Na Europa, setor acusa mineradoras de abuso na formação de preços; no Brasil, associação prevê impacto expressivo do reajuste do aço
Grandes exportadoras da matéria-prima, como a Vale, mudaram modelo anual de negociação dos contratos e acertam altas de até 90%.
Os setores siderúrgico e automobilístico europeus acusaram as grandes mineradoras, entre elas a Vale, de uso de práticas desleais de mercado após a introdução de um novo sistema de preços que quase dobrará o custo do minério de ferro.
A Eurofer, associação setorial das siderúrgicas europeias, queixou-se à Comissão Europeia quanto a possíveis abusos de preços, alegando existir "fortes indicações de coordenação ilícita de reajustes e modelos de formação de preços, além de pressão sobre siderúrgicas individuais para que aceitem essas mudanças".
Nesta semana, a Vale e a australiana BHP deram início a uma mudança no modelo de correção de preços do minério de ferro (agora corrigidos trimestralmente) e já elevaram o produto em até 90%.
A Acea, que representa as montadoras de caminhões e automóveis europeias, afirma que os três principais produtores (Vale, Rio Tinto e BHP Billiton) têm "o poder de formação de preços de um oligopólio".
No Brasil, o Instituto Aço Brasil, antigo IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), fez uma avaliação menos pessimista, mas considerou o impacto do reajuste como expressivo.
Segundo Marcopólo Lopes, vice-presidente-executivo, o minério corresponde a 25% dos custos do setor e "não é possível" para as siderúrgicas absorverem sozinhas esse reajuste.
Ele disse à Folha que repasses acontecerão, mas não crê numa forte escalada dos produtos que utilizam largamente o aço.
Cita números comparativos: um fogão tem seu peso composto por 75% de aço, mas apenas 17% do valor corresponde à matéria-prima. Num carro Gol, a relação é de 55% para 9%.
O executivo centra fogo, porém, na Vale. Critica a concentração do mercado em torno da empresa e rebate a declaração do presidente da mineradora, Roger Agnelli, para quem o custo do minério de ferro é o mais baixo do mundo no Brasil, enquanto o aço é o de maior valor entre todos os países. "Isso não existe. Pagamos o mesmo preço de minério de ferro. A diferença é só o menor custo de frete, já que a produção é no país. O preço do aço é também compatível com o do mercado doméstico de outros países."

Momento delicado
O apelo da Eurofer a Bruxelas chega em um momento delicado, já que as autoridades de defesa da competição na Europa já estão avaliando uma proposta da Rio Tinto e da BHP Billiton para combinar suas ricas jazidas de minério de ferro na Austrália.
As queixas das siderúrgicas se seguem a alertas de que os preços do aço teriam de subir em até um terço depois que as mineradoras e siderúrgicas de Japão e China concordaram sobre a mudança na formação de preços do minério de ferro.
Os custos mais elevados do aço deverão resultar em preços mais altos para automóveis, vigas para construção e produtos de linha branca (como geladeiras), segundo as siderúrgicas. Como pano de fundo da disputa, estão os esforços das mineradoras para remover um sistema de referência anual nas negociações, substituindo-o por contratos trimestrais vinculados ao preço do minério de ferro no mercado spot (à vista).
Procurada, a Vale preferiu não se manifestar. O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) diz que é inviável manter os atuais preços, defasados ante os do mercado spot.

Worldsteel afirma que imposição de contratos é abuso das mineradoras

O anúncio do reajuste de 90% nos preços do minério de ferro firmado entre a Vale e a Sumitomo, anunciado pela gigante siderúrgica japonesa, foi acompanhado de perto pelo mercado e já reflete em declarações da Associação Mundial de Minério de Ferro, a Wordsteel.
Em comunicado publicado nesta quinta-feira (1), a Associação afirmou que a imposição de preços é uma atitude abusiva por parte das principais produtoras de minério de ferro do globo, dentre elas a brasileira Vale, que ocupa o primeiro lugar deste ranking.
O impacto negativo dos reajustes nos preços do produto na recuperação econômica mundial também foi citado pela Worldsteel, por meio de declarações de seu diretor geral, Ian Christmas. “A mineradoras precisam decidir se a natureza não competitiva do negócio é de interesse público, visto que o minério é usado virtualmente em diversos aspectos da economia moderna”, declarou.
O executivo também chamou atenção para as atuais condições de mercado e fez um apelo por medidas dos agentes reguladores. “Há agora uma necessidade urgente de que as autoridades defensoras da competição ao redor do mundo examinem o mercado de minério de ferro e o comportamento de mercado das três companhias que dominam este negócio”, afirmou Christmas, citando Vale, BHP Billiton e Rio Tinto.
Referência para reajustes: Em comentário sobre o modo ideal para reajuste dos contratos, o diretor geral da Worldsteel afirmou: “O sistema de índices pode ter imperfeições, mas tem o mérito de sustentar relações de longo-prazo entre a indústria e os fornecedores de matérias-primas, o que também beneficia as decisões de investimento em médio prazo”.

Vale faz acordo parcial no Canadá

A Vale Inco, subsidiária canadense de níquel da Vale, informou ontem ter fechado acordo trabalhista com os trabalhadores do United SteelWorkers (USW) Local 2020-005, que reúne 300 empregados administrativos e técnicos da área de operações de Sudbury. Esse pode ter sido o primeiro passo para uma negociação da mineradora com os 3 mil mineiros vinculados ao sindicato da unidade USW Local 6500, que estão em greve há nove meses, junto com dois sindicatos locais em Voissey´s Bay e Port Colborne, apurou o Valor.
Myles Sullivan, assessor do USW em Sudbury, confirmou que a mineradora fechou acordo coletivo da unidade Local 2020, vencido desde março. " A Vale agora deve voltar à mesa com o Local 6500 para negociar uma acordo justo para todos os trabalhadores da empresa " disse. Segundo o comunicado, 84,5% dos funcionários administrativos de Sudbury, que nunca fizeram greve, votaram a favor de ratificar um acordo com a companhia para vigorar nos próximos três anos, contando de hoje a 31 de março de 2013.
O acordo firmado ontem envolve aumento anual de salários, um plano de pensão de Contribuição Definida para os novos empregados da empresa e a introdução de um plano de incentivo anual para apoiar a realização de objetivos estratégicos, compensações por performance, dentre outras melhorias.

Vale recebe US$ 660 milhões com venda de participação em projeto peruano

A Vale (VALE3, VALE5) anunciou nesta quarta-feira (31) que firmou um acordo com a norte-americana The Mosaic Company e a japonesa Mitsui & Co. para uma parceria em projeto de fosfato no Peru. A mineradora brasileira irá receber cerca de US$ 660 milhões pela venda de participações.
Localizado em Sechura, no departamento de Piura, o projeto Bayóvar consiste em uma mina de rocha fosfática a céu aberto, com capacidade de produção de 3,9 milhões de toneladas métricas por ano e um terminal marítimo, com previsão de conclusão no segundo semestre deste ano.
A Vale concordou em vender 35% do capital total para a Mosaic por US$ 385 milhões e 25% do capital total para a Mitsui por US$ 275 milhões. Após a conclusão dessas transações, a mineradora manterá o controle do projeto Bayóvar, com 51% do capital votante e 40% do capital total da nova companhia. "A venda dessa participação minoritária facilitará a distribuição de produtos do projeto Bayóvar", explicou a companhia brasileira.