terça-feira, 14 de setembro de 2010

Bank of America não vê double dip e aponta espaço para avanço de ações

Embora os temores acerca de um possível double dip na economia mundial continuem a rondar os mercados, a equipe de analistas do Bank of America Merrill Lynch segue com um viés mais otimista em relação à retomada da atividade, esperando que os dados econômicos apresentados ao longo do ano confirmem que o risco de recessão não é iminente.
Consequentemente, os analistas mantêm uma postura favorável em relação ao mercado de ações - que, na visão do banco, já precificam uma recessão.
O relatório, assinado pelos analistas David Bianco, Priya Hariani, Dan Suzuki, Kavan Desai e Jill Carey, mostra que a relação entre a expectativa do banco de yield do lucro por ação para o índice de ações S&P 500 - um dos principais benchmark do mercado - e o rendimento dos títulos da dívida dos EUA encontra-se em torno de 8 vezes, o quádruplo do patamar normalmente visto e também acima do pico alcançado durante a crise financeira. "Com isso, acreditamos que as ações estão precificadas para pelo menos uma suave recessão", afirmam.
Normalização do prêmio
O quinteto do Bank of America também destaca o risco pelo prêmio oferecido pelo mercado acionário encontra-se bem próximo de suas máximas, ao passo que os prêmios de títulos de dívida corporativos tem retornado para seus patamares normais.
"Esse 'spread' (diferença entre os prêmios) pode sugerir que, enquanto as ações estão precificadas para uma recessão, os bonds corporativos estão precificados para um cenário de crescimento lento e de taxas livres de risco excepcionalmente baixas por um longo período", afirmam os analistas do BofA.
Diante disso, os especialistas do banco norte-americano afirmam que o mercado acionário passa a ser uma oportunidade atrativa de investimento para o investidor que também não acredita em uma dupla recessão na economia. "Os prêmios pelo risco dos bonds corporativos se normalizaram. [Os prêmios] das ações provavelmente serão os próximos, em nossa visão", concluem.

Produção industrial da Zona do Euro fica abaixo do esperado

A produção industrial da Zona do Euro foi mais fraca que o esperado em julho, abatida por uma queda na atividade de bens de consumo duráveis.
A agência de estatísticas Eurostat informou nesta terça-feira (14) que a produção ficou estável sobre junho e subiu 7,1% ante julho de 2009.
Economistas previam uma alta mensal de 0,2% e um avanço anual de 8%.
A Eurostat revisou para baixo o dado de junho, para queda de 0,2% mês a mês, ante leitura preliminar de recuo de 0,1%. O número anual, por outro lado, foi revisado para cima, para alta de 8,3%, ante divulgação anterior de 8,2%.

Bolsas da Ásia fecham sem rumo comum, Japão cede

HONG KONG - As principais bolsas asiáticas fecharam sem rumo comum nesta terça-feira, com o setor de matérias-primas oferecendo os maiores ganhos, enquanto papéis mais defensivos ficaram abaixo da média do dia.
Investidores tiveram sinais divergentes em setembro sobre o momento correto para sair de ativos mais seguros e partir para aplicações de maior risco.
O crescimento econômico fora da China e alívio de que as novas regulamentações bancárias não vão desencadear uma corrida para levantar capital desviou a atenção dos investidores das incertezas sobre a recuperação dos Estados Unidos.
"Embora os dados melhores nos EUA, China e o acordo de Basileia III tenham impulsionado o apetite ao risco, os movimentos já parecem se esgotar", disse Mitul Kotecha, diretor global de estratégia de câmbio do Credit Agricole CIB, em relatório.
"Seria fácil seguir o curso, mas após os ganhos registrados nos últimos dias, sugerimos adotar uma postura cautelosa ao entrar em operações de risco nos níveis atuais."
O partido da situação do Japão fará uma eleição para a liderança na terça-feira, o que vai determinar quem é primeiro-ministro do Japão e pode ter um grande impacto na forma como o governo lida com a força do iene.
O índice MSCI que acompanha as bolsas da região da Ásia Pacífico exceto Japão operava praticamente estável, a 430 pontos.
O índice Nikkei, da bolsa de TÓQUIO, fechou em queda da 0,24 por cento, para 9.299 pontos, em dia no qual o iene valorizado pesou no desempenho das ações.
Em HONG KONG, o índice Hang Seng ganhou 0,17 por cento, para 21.696 pontos. XANGAI fechou perto da estabilidade, a 2.688 pontos, enquanto TAIWAN se valorizou em 0,51 por cento, a 8.132 pontos.
A bolsa de SEUL perdeu 0,2 por cento, para 1.815 pontos.
Em SYDNEY, houve alta de 0,25 por cento, para 4.626 pontos.
O mercado em CINGAPURA terminou em baixa de 0,59 por cento, para 3.048 pontos.

BC vai atuar no mercado futuro de dólar

O comportamento do real em relação a diversas moedas internacionais, e não só ante o dólar, tem sido atentamente monitorado pelo governo e pode ser o fator determinante para a adoção de uma postura mais agressiva no câmbio. Nas duas primeiras semanas de setembro, a moeda brasileira teve valorização de 4% em relação a uma cesta de 15 divisas - quase o dobro da alta na comparação com o dólar, que foi de 2,05%.
Ou seja, a moeda brasileira, a despeito do movimento mundial de enfraquecimento do dólar, está se valorizando de forma mais acentuada que a moeda de seus principais parceiros, o que preocupa o governo.
Não se sabe se essa valorização veio para ficar ou se é pontual, como decorrência de movimentos específicos, como a capitalização da Petrobrás. De qualquer forma, a situação colocou o governo em alerta e explica a posição do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e de fontes da área econômica, que desde a semana passada têm emitido sinais de que a artilharia está montada e o governo pronto para reagir em uma eventual entrada maciça de dólares, a movimentos especulativos e à continuidade do fortalecimento do real.
Na prática, o Banco Central adotou uma política mais agressiva e tem comprado dólares duas vezes por dia e, de outro lado, o Tesouro Nacional acelerou suas aquisições da moeda para pagar a dívida externa. Esses dois movimentos reforçam a ação oficial e dão maior dose de imprevisibilidade ao mercado.
Swap reverso. Mas para ampliar os efeitos sobre a cotação, o governo ainda tem a possibilidade de retomar as atuações no mercado futuro (com apostas de que o real continuará se valorizando) por meio do instrumento conhecido como contrato de swap cambial reverso. Essa operação equivale à compra de dólares. Esses contratos são identificados como uma arma poderosa para conter a valorização do real.
Enquanto estuda a volta desses contratos, o governo já mapeou que investidores estrangeiros estão vendidos -apostando, portanto, na valorização do real. Essa aposta estaria na casa dos US$ 18 bilhões. É uma situação delicada pois o governo sabe que parte dessas apostas oferece um enorme risco. Não está afastada a hipótese de que os bancos não tenham dólares no caixa, as chamadas posições "a descoberto". Além disso, fontes destacam que o cupom cambial - o rendimento em dólar de um ativo - tem subido, o que é avaliado com um sinal de movimentos de natureza mais especulativa e um sintoma da necessidade de intervenção no mercado futuro.
Sondagem. No fim de julho, o BC chegou a sondar informalmente o mercado para retomar a oferta do swap. Na época, a simples conversa com algumas mesas de câmbio mostrou a força do instrumento e, em poucos dias, bancos diminuíram a aposta no real em mais de 20% ou US$ 3 bilhões. E, como consequência, houve ainda pequena desvalorização da moeda brasileira no período.
Se executar essa operação no mercado futuro de câmbio, o BC estará desestimulando a chamada posição vendida dos bancos no mercado à vista e também vai atacar as apostas especulativas. Na crise, as posições do governo em swap reverso renderam dividendos, reduzindo a conta de juros e a dívida pública.
Para o uso desse instrumento, os departamentos jurídicos do governo se debruçaram em torno de uma controvérsia se era permitido à autoridade monetária lançar mão dos swaps. O assunto já foi pacificado na área econômica e não há obstáculo legal para que o BC, responsável por executar essa política, possa vender swaps reversos. Agora, a questão é escolher o melhor momento.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Chicago quer abraçar o Brasil

Faltam 60 segundos para abrir o pregão a viva-voz da Chicago Board Of Trade (CBOT). Centenas de operadores aglomeram-se em rodinhas, preparando os pulmões para mais um dia de intensa negociação. A partir das 9h30, seus berros e gestos traduzirão o pulso do mercado de produtos agrícolas em todo o mundo, definindo preços futuros de milho, soja, trigo e outros grãos.
É uma cena que, no Brasil, ficou na saudade (ao menos dos operadores de pregão) depois que os computadores tomaram conta das transações na Bovespa e na BM&F. Pois na terra do blues o calor humano ainda prevalece, apesar de representar apenas 10% dos negócios
No andar de cima, turistas observam as rodinhas a partir de janelas gigantes. Cada grupo de visitantes ouve gravações em inglês ou no próprio idioma. Na manhã da sexta-feira 3, dezenas de agricultores brasileiros aguardavam a abertura dos negócios e aprendiam a importância do que acontecia lá embaixo. A CBOT, quem diria, também fala português.
Não só fala como aposta pesado no País. “Temos 5% da BM&FBovespa e muitos projetos em comum. O Brasil é, de longe, a nossa ligação internacional mais importante”, afirma Craig Donohue, presidente do Grupo CME. Ele recebeu a DINHEIRO em seu escritório na elegante South Wacker Drive, a cinco quadras do pregão mais barulhento dos Estados Unidos.
Além da CBOT, o conglomerado que ele dirige é dono de outras três bolsas emblemáticas: a Chicago Mercantile Exchange, a Comex e a Nymex. Juntas, elas formam o maior mercado de derivativos (instrumentos financeiros para proteção e especulação) do mundo.
Em seus ambientes de negociação a viva voz ou eletrônicos, investidores, empresas e governos realizam milhões de operações diariamente envolvendo preços futuros de ações, moedas, commodities agrícolas e minerais, metais, taxas de juros, energia e até mesmo clima e propriedades imobiliárias.
Os números são impressionantes. Somente em 2009, foram 2,6 bilhões de contratos futuros e de opções, cujo valor somado chegou a US$ 813 trilhões – cifra equivalente a 450 vezes o PIB brasileiro.O CME é, por assim dizer, o melhor termômetro do humor dos mercados globais com relação ao futuro econômico, seja ele próximo, seja distante.
Nessa gigantesca bola de cristal, aparecem índices de ações, barris de petróleo, safras de milho e barras de ouro, entre dezenas de produtos. Presidente do grupo desde 2004, Donohue dirige negócios que se espalham por 85 países e são realizados sete dias por semana, 24 horas por dia.
De seu privilegiado posto de observação em Chicago, ele vislumbrou o potencial do Brasil como economia emergente e comandou o casamento de interesses com os corretores brasileiros. A primeira aliança foi com a BM&F, antes da abertura do capital.
A segunda, com a BM&FBovespa, resultante da fusão entre as duas grandes bolsas nacionais. No início de 2010, a BM&FBovespa elevou para 5% (cerca de US$ 1 bilhão) sua participação no capital do Grupo CME, que garantiu a mesma fatia na noiva brasileira. “Estamos felizes com a parceria”, disse o executivo.
Pelo acordo, investidores do Exterior podem usar o sistema operacional do CME para realizar negócios diretamente na BM&FBovespa e vice-versa. Os operadores estrangeiros já podem transacionar todos os contratos futuros e de opções da BM&F. Os brasileiros, por enquanto, fecham apenas contratos futuros no CME. Pelo menos 25 grandes clientes do grupo já fazem o direcionamento de ordens para o Brasil.
“Os negócios estão crescendo e já atingem, em média, 200 mil contratos por dia”, comemora Donohue, referindo-se às ordens dos Estados Unidos para o Brasil. No caminho inverso, as operações ainda são tímidas, de dez mil a 15 mil contratos por dia.
Mas esta é apenas a ponta do iceberg. Os dois sócios estão desenvolvendo uma plataforma de negociação que permita fazer transações com vários ativos. Será um sistema de última geração, a ser usado no Brasil e vendido a outras bolsas.
No futuro, novos produtos com apelo local e internacional serão lançados para aumentar os negócios mutuamente. Além disso, o CME e a BM&FBovespa são parceiros preferenciais na compra de participações em outras bolsas do mundo.
A expansão em várias praças é parte essencial da estratégia de Donohue para transformar o CME numa organização verdadeiramente global. Hoje, o grupo é visto por seu presidente como uma empresa americana que oferece negócios de apelo global a clientes globais.
A maior parte das transações ainda acontece no horário comercial americano. Para mudar isso, ele costurou acordos de participação em bolsas de quatro países: Brasil, México, Malásia e Dubai (veja quadro). Também está desenvolvendo produtos especiais para ampliar os negócios na Índia, na Coreia do Sul e no Japão.
Ao oferecer contratos estrangeiros em moeda local, Donohue quer aumentar a liquidez de seus mercados principais, Chicago e Nova York, conquistando clientes nos quatro cantos do globo. “Estamos em fase de transição. Tomamos medidas concretas para nos tornarmos uma empresa global. É um processo que levará dez anos para ser concluído”, diz Donohue. O futuro, para ele, já começou.
O presidente do CME, Craig Donohue, falou à DINHEIRO sobre a importância do País para o grupo e a sucessão presidencial. Acompanhe:
Por que decidiu ter participação cruzada com a BM&FBovespa?
Para alinhar nossos interesses. Podemos cooperar e competir. Se a bolsa brasileira der um passo para negociar contrato de soja, com pontos de entrega no Brasil e baseado no nosso contrato, não ficaremos preocupados. O sucesso da BM&FBovespa é o meu. Estamos felizes.
Por que o Brasil é tão importante?
É uma das economias que mais crescem no mundo. E tem uma sofisticação muito grande no mercado financeiro. Gostamos das perspectivas de crescimento. Quando investimos na BM&F, vislumbrávamos o crescimento na negociação eletrônica, a abertura do acesso ao mercado, as transações com algoritmos. Entrar antes do IPO (da BM&F) foi uma coisa muito inteligente. Sabíamos dos planos de consolidação com a Bovespa, de criar uma bolsa dominante na América Latina, um superpoder regional.
Como vê as perspectivas para o Brasil após as eleições de outubro?
Sou otimista. Meus colegas brasileiros estão muito confiantes, não veem uma grande mudança de rumo. Os progressos serão mantidos e o foco na saúde da economia vai continuar. Espero que seja verdade.

75% chances de EUA mergulharem em nova recessão

Passados dois anos do auge da crise econômica mundial - marcado pelo colapso do banco Lehman Brothers - o mundo vive o temor de uma nova recessão. A probabilidade de um segundo mergulho (double dip) ou de uma recessão em "W" cresce dia a dia.
Os indicadores mais recentes de Estados Unidos, Europa e Japão mostram desaceleração no ritmo de recuperação das economias e fortalecem a perspectiva de que o mundo ainda vai enfrentar muitos anos de crescimento econômico medíocre, mostra reportagem de Lucianne Carneiro e dos correspondentes Fernanda Godoy (Nova York) e Fernando Duarte (Londres) publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.
No ano passado, a economia global entrou em recessão, puxada por uma queda de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) americano, após o mundo crescer acima de 5% durante dois anos seguidos. E agora, no segundo aniversário do fatídico 15 de setembro - quando o quarto maior banco de investimento dos EUA quebrou e mergulhou o planeta na maior crise desde os anos 30 -, o clima é de incertezas.

Ações atraem bancos chineses

"Os chineses estão ampliando sua participação no mercado de ações brasileiro, isso é certo", afirma Gerardo Mato, CEO do global banking do HSBC para América Latina. Segundo ele, em algumas transações grandes o HSBC tem visto "entidades financeiras" e bancos chineses entrando com força. Ele acredita que em operações que estão por vir o mesmo deve se verificar, sem querer dar detalhes.
De acordo com Anita Fung, responsável pela área de atacado (global banking and markets) do HSBC na Ásia/Pacífico, as empresas brasileiras continuam a vender a maior parte da emissão de ações nas Américas e na Europa. Isso acontece, segundo ela, pois "quando a emissão chega na Ásia, já foi totalmente vendida".
Para atender à demanda crescente por ativos brasileiros na Ásia é que o HSBC criou dois "Brazilian Desks" na região, um em Hong Kong e o outro na China. "Temos também um Chinese Desk no Brasil", conta.
"Nesses Brazilian Desks, se você quiser comprar ativos brasileiros na Ásia, você pode cotá-los no fuso horário adequado sem precisar esperar os mercados brasileiros abrirem", diz. Além disso, é possível desenhar produtos financeiros "que atravessem fronteiras", com uma parte passiva em moedas asiáticas e uma parte ativa em reais. "Esses desks ajudam a identificar potenciais investidores para clientes chineses no Brasil e vice versa", diz. Os desks só existem para países considerados prioritários pela instituição financeira, afirma.
Os negócios de atacado do HSBC na Ásia vem ganhando importância crescente para o banco. Dos lucros antes dos impostos de US$ 9,6 bilhões do HSBC no primeiro semestre deste ano, 58%, ou US$ 5,6 bilhões, vieram da área de global banking and markets. Desse último total, 36%, ou US$ 2,04 bilhões, vieram da região da Ásia/Pacífico.
Não é à toa que o CEO do banco, Michael Geoghegan, se mudou para Hong Kong. Mas, segundo Anita Fung, mais de 50% da receita de global banking and markets do HSBC na Ásia veio de fora de Hong Kong. "Nós estamos indo muito bem em Cingapura e na Coréia", diz. Segundo ela, o negócio de global banking e markets tem participação em 21 países diferentes na Ásia. "Nós não vemos a região como um bloco: temos forte presença local", afirma. Considerando-se os funcionários do banco no mundo todo, mais de um terço está na Ásia. Anita Fung e Mato estiveram no Brasil para participar de evento com os clientes do HSBC.(C.P.L.)