quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Panorama Mercados

Na Ásia as bolsas mostraram recuperação nesta madrugada, exceção para duas das três bolsas chinesas que registraram queda. O destaque na região foi a divulgação de pesquisas sobre o desempenho da atividade manufatureira, como China, Austrália e Taiwan, além da decisão sobre política monetária na Tailândia, elevando os juros de 1,75% para 2,0% e surpreendendo o mercado que esperava manutenção. A recuperação da confiança do consumidor americano e o crescimento da indústria na China sustentaram a alta do mercado acionário.
No Japão o índice Nikkei 225 subiu 0,51% puxado por montadoras e empresas de commodities. O iene mantém um nível de cotação contra o dólar mais estável e acima da mínima observada, dando suporte para o setor exportador. Na Austrália a bolsa subiu 0,05%, destaque para a divulgação de indicadores de atividade e PIB, ambos abaixo das expectativas. A atividade manufatureira recuou de 49.4 para 47.6 pts em novembro, registrando por três meses contração da atividade. Em abr/10 o índice atingiu seu máximo, 59.8 pts, mostrando em parte que a alta dos juros tem surtido efeito sobre a economia. Já o PIB referente ao 3ºTrim.10 mostrou arrefecimento, taxas de 0,2% (QoQ) e 2,7% (YoY), ambos abaixo do estimado.
Na China as duas pesquisas PMI mostraram variação acima do projetado pelo mercado, superando o dado do mês anterior, registrando em novembro 55.2 e 55.3 pts. A bolsa subiu 0,12%, destaque para a valorização do setor industrial e de commodities. Apesar do dado positivo, mercado deve reagir de forma negativa à pesquisa em algum momento, pois a atividade segue crescendo e o governo quer diminuir o ritmo de crescimento da economia, cuja inflação está em alta e cuja linhas de crédito não param de expandir. O dado pode reforçar a percepção de necessidade de elevação dos juros.
A FGV divulgou o fechamento do mês do IPC-S, variação de 1,0%, resultado no teto das expectativas, destaque para a aceleração dos preços dos alimentos acima de 2,0%, e alta dos grupos vestuários e transportes. Às 10h00 a Bloomberg divulga pesquisa PMI sobre o desempenho da atividade manufatureira de novembro. Não há expectativa para o índice que no mês anterior ficou abaixo dos 50 pts. Às 11h00 temos o resultado mensal da balança comercial, expectativa de superávit de $950 MM.
Nos EUA a agenda tem importantes indicadores econômicos sendo divulgados, destaque para a pesquisa ADP sobre o mercado de trabalho privado às 11h15, expectativa de crescimento de 70 mil postos de trabalho. Às 11h30 tem o dado final referente ao 3ºTrim.10 da produtividade e custo da mão-de-obra, taxas estimadas de 2,3% e -0,2% respectivamente. Às 13h00 tem a pesquisa ISM sobre a atividade manufatureira, alta de 56.5 pts em novembro. No mesmo horário tem os gastos com construção, registrando contração de -0,3% em outubro após recuperação no mês anterior. No final do dia temos às 17h00 a divulgação do Livro Beige, com sumário sobre as condições da economia americana.
Na Europa o pregão também é de alta, com a região divulgando a pesquisa PMI sobre a atividade manufatureira, registrando bom desempenho na região. O crescimento da atividade industrial na China impulsiona a alta do preço das commodities, dando importante suporte para a valorização de empresas petrolíferas e mineradoras.
Na zona do euro a pesquisa PMI passou de 55.5 para 55.3 pts. Na Alemanha mostrou moderado arrefecimento na margem, passando de 58.9 para 58.1 pts. Por outro lado as vendas do setor varejista registraram em outubro importante recuperação, alta mensal de 2,3%. Na Irlanda a PMI subiu de 50.9 para 51.2 pts e às 09h00 está prevista a divulgação da taxa de desemprego de novembro. Não há expectativa para o indicador, que no mês anterior registrou variação de 13,6%. Na Espanha o PMI recuou de 51.2 para 50.0 pts.
O melhor desempenho do mercado acionário nesta manhã poderá favorecer a venda de títulos do governo de Portugal, valor de 500MM de euros com prazo de 350 dias. O leilão ocorrerá às 08h30 e será um importante teste para Portugal. Já o euro mostra moderado fortalecimento ante o dólar, recuperando a cotação abaixo de 1,30. Comentários positivos do presidente do BCE em encontro com legisladores ontem, também dá suporte ao mercado hoje. Trichet acredita que a estabilidade financeira da zona do euro não corre risco, alimentando especulações de que o BC possa divulgar alguma medida para evitar uma propagação da crise após a divulgação da decisão de política monetária.
Nos EUA a agenda econômica é cheia, com dados de emprego, atividade, produtividade, destaque para a divulgação do livro Beige com um sumário sobre as condições da economia americana. Os futuros operam em alta esta manhã, com o mercado mostrando recuperação após fechamento negativo na sessão anterior.
O petróleo fechou com baixa de -1,89%, cotado a US$84,11, pressionado pelo fortalecimento do dólar ante as demais moedas e preocupações com a Europa. Hoje o pregão é de recuperação, destaque para os dados de atividade manufatureira na China, que voltaram a subir em novembro.
Já os metais também fecharam a sessão com alta, reagindo a alguns indicadores positivos nos EUA. Hoje cobre e ouro mantém o viés positivo, destaque para a moderada desvalorização do dólar esta manhã.

Moedas

Dólar Real Futuro - A figura formada é pouco expressiva, embora tenha sido em escala de baixa em relação aos dias anteriores e logo acima da área de mínima de oscilação iniciada em 10/nov a 1724,000, área que rompida confirmaria queda pelo menos até 1710,000 / 1700,000 e melhor a 1690,500, pois pelo contrário, continuaria estreitando oscilação no patamar dos últimos dias.

Dólar Real Pronto ( Diário ) - Abaixo de 1,7142 indica continuidade na queda em direção da área de mínima de acumulação dos últimos dias e
também base de formação de baixa, topo duplo, que seria confirmado com o rompimento e com isto teria queda pelo menos até 1,6950 / 1,6911.
Obs.: Resistência a ser respeitada para isto a 1,7205.

Euro Dólar - Fechou com indicativo de queda e logo acima de bom suporte a 1,2919, que rompido indicaria continuidade no movimento com nova
aceleração na queda (1,2588). Obs.: Resistência a ser respeitada para isto a 1,3159.

Juros

Di1 Jan/12 - Indicativo de queda, mas com oscilação no mesmo patamar dos últimos dias e só definiria com a saída desta acumulação 11,96 / 12,05.

Di1 Jan/13 - A área de resistência a 12,32 foi testada e respeitada, mostrando não haver sustentação para a saída de acumulação dos últimos dias, indicando queda curta que tem melhor suporte a área de mínima desta
acumulação (12,17).

Commodities

Boi Gordo Dez/10 - BMF - Fechou com indicativo de queda que tem próximo suporte a 95,99 / 95,60, este a área de mínima de acumulação
iniciada em 16/nov , e melhor a 93,90. Obs.: Somente haveria definição de curto prazo com a saída desta acumulação 95,60 / 101,45, pois
pelo contrário continuaria neste movimento alternando movimento curto de alta e baixa até a definição.

Café Dez/10 - BMF - A figura formada é pouco expressiva, com fechamento logo abaixo de resistência a 240,00, "parecendo" não haver
sustentação na alta. ENTÃO acima de 240,00 indicaria alta curta em direção da área de máxima de acumulação dos últimos dias (247,70), ou
pelo contrário ficaria no patamar 230,55 / 240,00, até a definição.

China e EUA colocam bolsas da Ásia novamente no azul

As bolsas asiáticas voltaram a operar nesta quarta-feira em campo positivo, reanimadas pelos últimos dados das economias dos Estados Unidos e da China.
O índice Nikkei 225, da bolsa de Tóquio, avançou 0,51% neste pregão, para 9.988,05 pontos, impulsionado pelas ações do setor exportador. Os papéis da Toyota subiram 3%, acompanhados pelos da Honda (2,33%) e da Nissan (1,91%).
Em Xangai, o Shanghai Composite ganhou 0,12%, aos 2.823,45 pontos, enquanto em Hong Kong, o índice Hang Seng teve 1,05% de valorização, alcançando 23.249,80 pontos. O Taiwan Taiex, de Taipé, registrou alta ainda mais acentuada, de 1,76%, para 8.520,11 pontos e, em Seul, o índice Kospi avançou 1,30%, para 1.929,32 pontos.
Puxado pelas mineradoras e pelos bancos, o S&P/ASX 200, da bolsa de Sydney, contabilizou leve aumento, de 0,05%, para 4.586,60 pontos. As ações da BHP Billiton e da Rio Tinto subiram 1,08%, enquanto no setor bancário, os papéis do Commonwealth Bank Australia ganharam 0,50% e os do Westpac, 0,37%.
Nesta quarta-feira, o governo chinês informou que a atividade no setor manufatureiro acelerou em novembro. O Índice dos Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) subiu de 54,7 pontos em outubro para 55,2 pontos neste mês. O movimento foi confirmado pelo PMI calculado pelo HSBC e pela empresa de pesquisas Markit Economics, que no mesmo período subiu de 54,8 para 55,3 pontos. A marca 50 separa a expansão da contração econômica.
O mercado asiático também reagiu aos números referentes à confiança dos americanos, divulgados na tarde de ontem. O Conference Board, grupo de pesquisa privado com sede em Nova York, mostrou que o índice de confiança do consumidor atingiu em novembro o maior nível em cinco meses, ao passar de 49,9 pontos em outubro para 54,1 pontos neste mês. O resultado deve animar os varejistas nesta temporada de Natal.

Mercado em Foco - Indusval Multistock

O volume financeiro da Bovespa atingiu R$ 10 bilhões no dia anterior, fruto dos ajustes da carteira do índice MSCI Brazil Standard, que vigora a partir de hoje. Ontem vários papéis negociaram de forma substancial, pois podem fazer parte desta carteira, são elas: Ecorodovias, Hering, Dasa, Amil, Odontoprev e Anhanguera Educacional. Na ponta inversa, os papéis que podem sofrer redução na carteira são: Brasil Telecom, Sabesp, ItaúUnibanco, sulAmérica e AmBev.
Hoje, o mercado amanheceu tranquilo, com dados positivos da China e da Europa. Mas temos que acompanhar de perto os vários indicadores que serão divulgados nos EUA, a partir das 10:30h, conforme agenda abaixo.

Brasil - Carrefour: a empresa de auditoria identificou perdas de R$ 1,2 bilhão por erros de contabilização, nas operações do Brasil.
Congresso: orçamento de 2011 em tramitação no Congresso.
Eletrobrás: em 2011, a empresa pretende captar US$ 1 bilhão com a venda de bônus. O papel será colocado nos EUA e na Europa. A expectativa é de que a taxa seja inferior a 5% a.a.
FGV - IPC-S: em nov10, a inflação subiu 1% ante 0,59% do mês de out10.
Oi: em reunião em Nova York, após reduzir despesas e a dívida, a empresa sinalizou investimentos de até R$ 5 bilhões em 2011, contra R$ 3 bilhões de 2010.
Telebrás: a estatal adiou para abril/2011, o lançamento da rede de banda larga. A previsão era lançar no mês de dezembro/10 nas primeiras 10 cidades a internet de alta velocidade, entretanto, o orçamento do projeto de R$ 1 bilhão, aguarda aprovação no Congresso.
Veículos: em novembro/10, as vendas, até o dia 29, acumulavam 305,8 mil unidades. Só não será superior ao mês de março com 353,7 mil unidades, mas baterá novo recorde sobre os meses anteriores.

China - PMI: em nov/10, o índice de gerentes de compras subiu para 55,2 contra 54,7 em out/10. O índice de gerentes de compras industriais subiu para 55,3 em nov10 contra 54,8 em out10. O PMI da Federação de Logística e Compra aumentou de 65,9 em out10 para 73,5 em nov10, mostrando que as pressões inflacionárias continuam aumentando. Em out10, a inflação ao consumidor atingiu 4,4% a.a.

India - PMI: pelo 20º mês consecutivo, em novembro, a indústria manufatureira do país subiu para 58,4 contra 57,2 em out10

Reino Unido - PMI: em nov10, o setor de manufatura subiu para 58, o maior nível desde 1994, acima de out10, de 55,4.

Zona do Euro - Alemanha – PMI: em nov10, subiu para 58,1 contra 56,6 em out10. Vendas no Varejo: em out10, as vendas aumentaram 2,3% sobre set10 e caíram 0,7% sobre out10.
França – PMI: em nov10, subiu para 57,9 contra 55,2 em out10.
Z.Euro - PMI Industrial: em nov10, o índice de gerentes de compras subiu para 55,3 contra 54,6 em out10.

Tempestade na zona do euro agora ruma para a Itália

A crise da dívida europeia tomou um rumo mais funesto, na terça-feira, trazendo a Itália para mais perto do turbilhão que engoliu a Grécia e a Irlanda, e está ameaçando envolver Portugal e Espanha. Os rendimentos dos títulos do governo italiano com maturação em 10 anos estão se aproximando de 5%. Pela primeira vez desde o lançamento do euro, em 1999, o ágio de juros que os investidores exigem para manter em suas carteiras esses títulos, em vez de dívida alemã similar, subiu para acima de 2 pontos percentuais. Tendo em vista que a Itália deve resgatar quase € 300 bilhões em dívida pública no próximo ano, estes movimentos de mercado trazem muito perigo para o futuro da união monetária europeia.
Com boas razões, as autoridades governamentais em Roma reclamam que os mercados estão ignorando os pontos fortes da Itália. A dívida pública italiana é muito alta - baterá nos 118,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano -, mas é financiada principalmente pelo mercado interno, e tem sido habilidosamente mantida sob controle por muitos anos gestores de endividamento no Ministério das Finanças. Além disso, a dívida do setor privado italiano é baixa e seus bancos sobreviveram à crise financeira praticamente ileso graças a políticas prudentes de concessão de empréstimos.
Acima de tudo, Giulio Tremonti, experiente ministro italiano das Finanças, demonstrou maestria num jogo difícil, desde que retornou ao cargo após a eleição nacional em abril de 2008. Agora, desfrutando seu quarto mandato no posto, Tremonti compreendeu imediatamente, num momento de agudas tensões nos mercados, que a condição das finanças públicas seria o calcanhar de Aquiles da Itália. Ele, portanto, assumiu como sua prioridade manter o déficit orçamentário da Itália entre limites razoáveis. Apesar disso ter custado uma severa recessão em 2009, a economia está novamente crescendo modestamente.
A personalidade e as políticas de Tremonti são fatores vitais de estabilização em meio a tensões políticas que culminarão em 14 de dezembro na decisão em torno de dois votos de confiança parlamentar que poderão derrubar o governo de Silvio Berlusconi. Pois perca ou não seu emprego o primeiro-mistro atormentado por escândalos, parece certo que Tremonti permaneça no controle das finanças italianas - seja em seu posto atual ou, o que é uma possibilidade, como sucessor de Berlusconi.
Mas a dura realidade é que a sorte italiana parece cada vez mais vinculada à da Espanha. Porque se a Espanha, como a Grécia e a Irlanda, necessitar um socorro emergencial da zona do euro, a parcela da Itália nessa conta colocará suas finanças sob grande tensão. Os italianos, por mais que bem comportados, poderiam se ver em risco. Para bem da zona do euro como um todo, a defesa da Itália deve começar com a defesa da Espanha.