A demanda por protecionismo e novas formas de política industrial vai crescer, especialmente nos EUA
O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre surpreendeu para cima, crescendo à taxa anualizada de 4,9%, acima dos 2,8% esperados pelo mercado. A surpresa positiva não elimina, porém, o fato de que houve uma desaceleração considerável no ritmo de expansão da atividade econômica, que fica mais evidente quando se considera que quase todo o crescimento no trimestre, pelas estimativas do Banco Central (BC), resultou de um carrego estatístico. Também importante, parcela relevante da variação do PIB adveio do acúmulo de estoques, parte do qual pode ter sido involuntário.
O Brasil não foi o único país a experimentar essa desaceleração: os EUA, o Japão, o Canadá e a China, por exemplo, também passaram pelo mesmo processo. A história por trás disso varia entre os países, mas no todo é um sinal de que a economia mundial deve perder dinamismo na segunda metade do ano e, possivelmente, em 2011, quando o fim do ciclo de estoques e uma política fiscal mais restritiva devem funcionar como um freio adicional à expansão do PIB. Isso ocorre em um momento em que o hiato do produto, uma forma sintética de medir o grau de ociosidade de uma economia, é elevado nas economias do G-3, acendendo o temor de que essas mergulhem num demorado processo de desinflação, que complique ainda mais a digestão do elevado endividamento de famílias, sistema financeiro e governo.
O reflexo disso será um quadro econômico e político volátil e incerto. Mesmo que o mundo desenvolvido não vire o Japão desta década, o crescimento mundial deve ser baixo por muitos anos. Isso manterá as taxas de desemprego elevadas por um período longo, levando à perda de capital humano e grande insatisfação de parcela significativa dos eleitores. A demanda por protecionismo e novas formas de "política industrial" vai se intensificar, especialmente nos EUA, onde o elevado déficit em conta corrente é visto como um ralo pelo qual escoam os empregos que faltam internamente. Isso vai ocorrer em um ambiente em que as empresas se defrontarão com um quadro regulatório em transformação, com o aumento da carga tributária, para fazer frente à dívida pública crescente, e novas normas para o setor financeiro, que podem restringir a oferta e aumentar o custo do crédito.
A taxa básica de juros no G-3 vai continuar baixa e, provavelmente, os bancos centrais, em especial o Federal Reserve (Fed, banco central americano), vão tentar novas formas de afrouxamento quantitativo, possivelmente envolvendo papéis privados, quiçá ações. Em um segundo momento, combinado com a queda do crescimento potencial, esse pode ser o combustível de uma aceleração inflacionária, que até certo ponto pode interessar a governos endividados. Mas esse é um capítulo à frente.
Quando os historiadores olharem para esses anos, possivelmente o resumirão com uma baixa taxa média de crescimento. Para quem os viver, porém, a experiência será predominantemente bipolar, oscilando entre a frustração com indicadores negativos e a euforia com novas iniciativas governamentais de combate à crise. No mercado financeiro, que vive de dados de alta frequência, essa sensação de bipolaridade pode se tornar especialmente acentuada.
Nesse quadro, o polo dinâmico da economia mundial vai migrar para a Ásia emergente, liderada por China e Índia. Pelas projeções do FMI, essa região deve crescer a uma taxa média de 8,6% em 2010-15, contra apenas 2,4% nos países ricos. Para a China, em especial, o Fundo prevê uma expansão média de 9,6% ao ano. Esse bom desempenho chinês, e asiático em geral, deve funcionar como uma das âncoras das economias latino- americanas, mantendo seus termos de troca em patamar relativamente alto e puxando suas exportações. Para Chile, Peru e Brasil, em que a China responde por entre 20% a 37% do total das exportações, a Ásia vai se tornando mais importante para determinar o comportamento do comércio exterior do que parceiros tradicionais como os EUA e a Europa.
A América Latina também deve se beneficiar do grande influxo de capital externo, em busca de rendimentos elevados, em uma região em que os juros e o crescimento devem ficar bem acima dos países ricos. Isso vai estimular o crédito e o investimento, elevar a renda real e tornar a demanda doméstica a principal fonte de dinamismo da economia, mas também vai fortalecer as moedas locais e ampliar os déficits em conta corrente. Por aqui também vai haver uma intensa demanda por protecionismo e políticas industriais, voltadas para compensar a perda de competitividade dos setores mais afetados pelo câmbio, assim como a reconhecida falta de mão de obra qualificada e de infraestrutura de boa qualidade.
A questão que se coloca nesse cenário é em que grau as países em desenvolvimento serão capazes de sustentar esse bom desempenho, e um intenso comércio Sul-Sul, enquanto as economias do G-3 ficam estagnadas e com fundamentos fiscais cada vez piores. Para a América Latina, em adição, há o problema perene da baixa taxa de poupança, que pode levar a uma dependência insustentável da poupança externa, como em outros momentos no passado.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
PETROBAS: Capitalização - Operação de alto risco
A PETROBRAS vai aumentar seu capital em US$ 70 bilhões, mediante subscrição pública de ações. Os recursos obtidos serão usados para levar adiante um programa de investimentos da ordem de US$ 220 bilhões. Para viabilizar a participação do Estado nessa operação, foi montada a venda de 5 bilhões de barris de petróleo à Petrobras. Eles fazem parte de uma reserva já identificada na região chamada de pré-sal.
A venda desse petróleo vai gerar para o Tesouro um crédito de mais de US$ 40 bilhões com a Petrobras.
Ele será usado então para pagar pelas novas ações a que o Estado tem direito por ser acionista da empresa.
Os demais acionistas -no Brasil e no exterior- terão que pagar em dinheiro para subscrever sua parcela no novo capital.
Vista dessa forma, a operação faz total sentido tanto do ponto de vista do governo como da Petrobras e dos acionistas minoritários privados.
O Tesouro trocará um bem etéreo -petróleo abaixo da terra- por um ativo real, que são as ações da Petrobras. Já o governo -que não se deve confundir com o Tesouro- poderá levar adiante um projeto ambicioso de explorar um gigantesco campo de petróleo com implicações importantes sobre o desenvolvimento do país nos próximos anos.
A Petrobras ganhará -sem desembolsar um tostão- o direito sobre novas reservas de petróleo com um potencial muito grande para fazer crescer seus lucros.
Finalmente, o acionista minoritário terá sua parte nos ganhos, via principalmente a valorização de suas ações negociadas nas Bolsas de Valores pelo mundo afora.
O leitor da Folha deve pensar que estou descrevendo uma verdadeira corrente da felicidade, em que todas as partes ganham com uma operação aparentemente simples.
Mas, infelizmente, o Diabo esconde-se nos detalhes de qualquer trama humana. Nesse caso, a questão mais importante está relacionada com as incertezas que cercam a definição do valor econômico desse petróleo que vai ser negociado.
Se ele estivesse localizado em áreas similares às que já são exploradas no mar pela Petrobras, seria possível fazer isso com segurança.
Mas, escondido nas profundezas de uma camada de sal de mais de 5.000 metros, essa tarefa é praticamente impossível. Tanto que duas empresas internacionais chegaram a números completamente distintos: US$ 5 uma e até US$ 12 a outra.
Mesmo esses valores, tão díspares, podem ser alterados na medida em que a exploração se desenvolva e informações mais seguras sobre o custo de extração sejam conhecidas. Em outras palavras, somente dentro de cinco anos ou mais é que teremos elementos para dizer se o valor arbitrado pelo governo, de US$ 8,51 por barril, foi correto ou não.
Se o custo real de extração for maior do que o estimado hoje, ganha o Tesouro e perdem os acionistas da Petrobras. Nesse caso, o Tesouro, que detém pouco mais de 30% do capital da empresa, devolverá parte dos ganhos obtidos com a venda do petróleo a preços superfaturados. Mas, mesmo assim, será um ganhador líquido.
Já no caso oposto -custo real de extração menor do que o estimado hoje- o Tesouro será o grande perdedor, pois vendeu seu petróleo a preços inferiores -talvez até a preço de banana, como dizem alguns- ao que poderia obter se tivesse realizado a venda com mais cautela e sem a pressa de hoje.
A Petrobras não tem necessidade de receber todo esse dinheiro de uma vez, e a venda poderia ser feita quando se tivesse segurança maior sobre seu real valor.
Outra variável decisiva para uma avaliação da operação será o preço futuro do petróleo. Se ele for maior do que o atual -já chegou a mais de US$ 150 por barril- será impossível esconder o sentimento de que o governo fez um mau negócio. Se for mais baixo, o sentimento amargo vai ficar com os acionistas da Petrobras.
Por todas essas incógnitas e dúvidas é que existe uma grande incerteza no mercado sobre o valor de uma ação da Petrobras às vésperas de seu aumento de capital.
Por:Luiz Carlos M de Barros.
A venda desse petróleo vai gerar para o Tesouro um crédito de mais de US$ 40 bilhões com a Petrobras.
Ele será usado então para pagar pelas novas ações a que o Estado tem direito por ser acionista da empresa.
Os demais acionistas -no Brasil e no exterior- terão que pagar em dinheiro para subscrever sua parcela no novo capital.
Vista dessa forma, a operação faz total sentido tanto do ponto de vista do governo como da Petrobras e dos acionistas minoritários privados.
O Tesouro trocará um bem etéreo -petróleo abaixo da terra- por um ativo real, que são as ações da Petrobras. Já o governo -que não se deve confundir com o Tesouro- poderá levar adiante um projeto ambicioso de explorar um gigantesco campo de petróleo com implicações importantes sobre o desenvolvimento do país nos próximos anos.
A Petrobras ganhará -sem desembolsar um tostão- o direito sobre novas reservas de petróleo com um potencial muito grande para fazer crescer seus lucros.
Finalmente, o acionista minoritário terá sua parte nos ganhos, via principalmente a valorização de suas ações negociadas nas Bolsas de Valores pelo mundo afora.
O leitor da Folha deve pensar que estou descrevendo uma verdadeira corrente da felicidade, em que todas as partes ganham com uma operação aparentemente simples.
Mas, infelizmente, o Diabo esconde-se nos detalhes de qualquer trama humana. Nesse caso, a questão mais importante está relacionada com as incertezas que cercam a definição do valor econômico desse petróleo que vai ser negociado.
Se ele estivesse localizado em áreas similares às que já são exploradas no mar pela Petrobras, seria possível fazer isso com segurança.
Mas, escondido nas profundezas de uma camada de sal de mais de 5.000 metros, essa tarefa é praticamente impossível. Tanto que duas empresas internacionais chegaram a números completamente distintos: US$ 5 uma e até US$ 12 a outra.
Mesmo esses valores, tão díspares, podem ser alterados na medida em que a exploração se desenvolva e informações mais seguras sobre o custo de extração sejam conhecidas. Em outras palavras, somente dentro de cinco anos ou mais é que teremos elementos para dizer se o valor arbitrado pelo governo, de US$ 8,51 por barril, foi correto ou não.
Se o custo real de extração for maior do que o estimado hoje, ganha o Tesouro e perdem os acionistas da Petrobras. Nesse caso, o Tesouro, que detém pouco mais de 30% do capital da empresa, devolverá parte dos ganhos obtidos com a venda do petróleo a preços superfaturados. Mas, mesmo assim, será um ganhador líquido.
Já no caso oposto -custo real de extração menor do que o estimado hoje- o Tesouro será o grande perdedor, pois vendeu seu petróleo a preços inferiores -talvez até a preço de banana, como dizem alguns- ao que poderia obter se tivesse realizado a venda com mais cautela e sem a pressa de hoje.
A Petrobras não tem necessidade de receber todo esse dinheiro de uma vez, e a venda poderia ser feita quando se tivesse segurança maior sobre seu real valor.
Outra variável decisiva para uma avaliação da operação será o preço futuro do petróleo. Se ele for maior do que o atual -já chegou a mais de US$ 150 por barril- será impossível esconder o sentimento de que o governo fez um mau negócio. Se for mais baixo, o sentimento amargo vai ficar com os acionistas da Petrobras.
Por todas essas incógnitas e dúvidas é que existe uma grande incerteza no mercado sobre o valor de uma ação da Petrobras às vésperas de seu aumento de capital.
Por:Luiz Carlos M de Barros.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
EUROPA: Fechamento
O principal índice de ações europeias atingiu nesta quinta-feira (9) o maior nível em mais de quatro meses, com a melhora da confiança após dados econômicos encorajadores nos Estados Unidos e valorização dos bancos pela expectativa de que as exigências de Basileia não serão tão rígidas.
O FTSEurofirst 300 encerrou em alta de 0,86%, aos 1.081 pontos, após alcançar 1.083 pontos - maior patamar desde o fim de abril.
Dados mostraram que os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caíram mais que o esperado na semana passada, enquanto o déficit comercial do país encolheu em julho. Analistas disseram que os relatórios ajudaram a acalmar o nervosismo sobre a desaceleração econômica.
"Talvez os mercados tenham aceitado mais a ideia de que nós teremos uma recuperação, mesmo que a taxas pequenas", disse Klaus Wiener, chefe de pesquisa da Generali Investments.
Ações do setor financeiro foram destaque de alta, com o índice bancário STOXX Europe 600 subindo 1,9%. Barclays, Royal Bank of Scotland, Société Générale e Crédit Agricole avançaram entre 3,4% e 4,6%.
Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 1,19%, a 5.494 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX subiu 0,93%, para 6.221 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 ganhou 1,22%, para 3.722 pontos.
Em Milão, o índice Ftse/Mib teve valorização de 1,35%, a 20.858 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 avançou 1,2%, a 10.712 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 encerrou em alta de 1,01%, aos 7.438 pontos.
O FTSEurofirst 300 encerrou em alta de 0,86%, aos 1.081 pontos, após alcançar 1.083 pontos - maior patamar desde o fim de abril.
Dados mostraram que os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caíram mais que o esperado na semana passada, enquanto o déficit comercial do país encolheu em julho. Analistas disseram que os relatórios ajudaram a acalmar o nervosismo sobre a desaceleração econômica.
"Talvez os mercados tenham aceitado mais a ideia de que nós teremos uma recuperação, mesmo que a taxas pequenas", disse Klaus Wiener, chefe de pesquisa da Generali Investments.
Ações do setor financeiro foram destaque de alta, com o índice bancário STOXX Europe 600 subindo 1,9%. Barclays, Royal Bank of Scotland, Société Générale e Crédit Agricole avançaram entre 3,4% e 4,6%.
Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 1,19%, a 5.494 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX subiu 0,93%, para 6.221 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 ganhou 1,22%, para 3.722 pontos.
Em Milão, o índice Ftse/Mib teve valorização de 1,35%, a 20.858 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 avançou 1,2%, a 10.712 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 encerrou em alta de 1,01%, aos 7.438 pontos.
BM&F BOVESPA: Começa a Era do Acesso Direto
Uma demanda reprimida dos investidores pelas formas mais sofisticadas de acesso direto ao mercado (ou DMA) no segmento de ações da BM&F Bovespa começa, finalmente, a ser atendida.
Três novas modalidades de DMA estão disponíveis para o mercado desde quarta-feira passada. E, pelos planos da bolsa, os primeiros clientes já estarão operando até o fim desta semana.
"No próximos dias, calculamos que pelo menos meia dúzia de investidores comecem a negociar com o acesso direto", diz o diretor de operações da bolsa, André Demarco.
Grosso modo, trata-se de um recurso tecnológico que permite aos investidores enviar ordens de compra e venda diretamente à BM&FBovespa. É uma alternativa à tradicional transmissão das ordens por telefone aos operadores das corretoras, que as registram manualmente no sistema da bolsa.
O segmento de derivativos conta com os quatro modelos existentes de DMA (leia mais ao lado) há mais de ano - e as operações realizadas por meio deles representam cerca de 30% do volume do segmento BM&F. No segmento Bovespa, até o mês passado, só o modelo 1 estava disponível.
Das novas modalidades de DMA do segmento Bovespa, a número 4 - conhecida como co-location - é considerada a vedete. É nela, segundo Demarco, que chegarão os primeiros clientes.
No co-location, o investidor instala seu servidor dentro do centro de processamento de dados da BM&F Bovespa. Reduzida a distância física de onde as ordens são enviadas para o lugar em que são executadas, garante-se velocidade.
É disso que precisam os chamados investidores de alta frequência, em geral fundos que realizam milhares de operações por minuto usando algoritmos.
Volume maior
"O DMA já mostrou nos derivativos o que pode fazer. Ele tende a ampliar também o volume negociado no segmento Bovespa", afirma Daniel Mendonça de Barros, executivo da corretora Link, que prevê demanda maior pelo acesso direto via co-location para ações do que para derivativos.
No segmento BM&F, já há dez clientes de co-location ativos, entre investidores e corretoras, e outros sete em fase de ativação.
Não se trata, porém, de uma alternativa de amplo acesso. Para se instalar dentro da bolsa, o investidor precisa alugar um rack, espécie de "estante" onde são dispostos seus servidores.
Cada meio rack (unidade de comercialização padrão) para um dos segmentos de negociação da bolsa sai por R$ 10 mil mensais. Quem já tem meio rack para um segmento, paga R$ 5 mil mensais adicionais pelo outro.
A bolsa já tem em operação um espaço de co-location com 40 meios racks disponíveis, sendo que 33 já estão ocupados por investidores do segmento BM&F.
Outras 45 unidades estão em vias de ser contratadas - 13 só para o segmento Bovespa e 32 para ambos os segmentos. Segundo Demarco, a bolsa tem mais dois espaços de co-location, com 40 meios racks cada, prontos para entrar em operação.
Modalidades de acesso
• 1. DMA Tradicional
Modalidade mais simples de acesso direto ao mercado, o DMA 1 está disponível no segmento de ações desde 1999 e no de derivativos, há quase dois anos.
Nele, o cliente opera no sistema Mega Bolsa por intermédio da estrutura tecnológica da corretora. As ordens enviadas pelo cliente trafegam pela infraestrutura da corretora antes de alcançar o sistema eletrônico de negociação. O home broker é um exemplo.
• 2. DMA Via Provedor
Neste modelo, as ordens são enviadas via infraestrutura tecnológica fornecida por uma empresa provedora de serviços de roteamento de ordens, como a Cedro Finances ou a Marcopolo Networks.
Na prática, o cliente se conecta à rede da empresa provedora de DMA e ela ao sistema da Bolsa. As mensagens enviadas pelo investidor não trafegam pela infraestrutura tecnológica da corretora, como no DMA 1.
• 3. DMA via Conexão Direta
Na modalidade 3, o envio de ofertas é feito via conexão direta do cliente com a bolsa, sem a utilização de infraestrutura tecnológica intermediária.
Como ocorre em todos os outros modelos, no entanto, é a corretora que concede o acesso ao investidor, estabelecendo os seus limites operacionais no pregão e monitorando as operações que realiza nos dois segmentos.
• 4. DMA via co-location
As ordens de compra e venda do cliente são geradas por software instalado em seu servidor - ou computador - hospedado no centro de processamento de dados da bolsa.
Para fins de monitoração, configuração de parâmetros, administração e manutenção, o cliente possui acesso remoto ao seu equipamento. Ganha-se em proximidade e velocidade do processamento das ordens.
Três novas modalidades de DMA estão disponíveis para o mercado desde quarta-feira passada. E, pelos planos da bolsa, os primeiros clientes já estarão operando até o fim desta semana.
"No próximos dias, calculamos que pelo menos meia dúzia de investidores comecem a negociar com o acesso direto", diz o diretor de operações da bolsa, André Demarco.
Grosso modo, trata-se de um recurso tecnológico que permite aos investidores enviar ordens de compra e venda diretamente à BM&FBovespa. É uma alternativa à tradicional transmissão das ordens por telefone aos operadores das corretoras, que as registram manualmente no sistema da bolsa.
O segmento de derivativos conta com os quatro modelos existentes de DMA (leia mais ao lado) há mais de ano - e as operações realizadas por meio deles representam cerca de 30% do volume do segmento BM&F. No segmento Bovespa, até o mês passado, só o modelo 1 estava disponível.
Das novas modalidades de DMA do segmento Bovespa, a número 4 - conhecida como co-location - é considerada a vedete. É nela, segundo Demarco, que chegarão os primeiros clientes.
No co-location, o investidor instala seu servidor dentro do centro de processamento de dados da BM&F Bovespa. Reduzida a distância física de onde as ordens são enviadas para o lugar em que são executadas, garante-se velocidade.
É disso que precisam os chamados investidores de alta frequência, em geral fundos que realizam milhares de operações por minuto usando algoritmos.
Volume maior
"O DMA já mostrou nos derivativos o que pode fazer. Ele tende a ampliar também o volume negociado no segmento Bovespa", afirma Daniel Mendonça de Barros, executivo da corretora Link, que prevê demanda maior pelo acesso direto via co-location para ações do que para derivativos.
No segmento BM&F, já há dez clientes de co-location ativos, entre investidores e corretoras, e outros sete em fase de ativação.
Não se trata, porém, de uma alternativa de amplo acesso. Para se instalar dentro da bolsa, o investidor precisa alugar um rack, espécie de "estante" onde são dispostos seus servidores.
Cada meio rack (unidade de comercialização padrão) para um dos segmentos de negociação da bolsa sai por R$ 10 mil mensais. Quem já tem meio rack para um segmento, paga R$ 5 mil mensais adicionais pelo outro.
A bolsa já tem em operação um espaço de co-location com 40 meios racks disponíveis, sendo que 33 já estão ocupados por investidores do segmento BM&F.
Outras 45 unidades estão em vias de ser contratadas - 13 só para o segmento Bovespa e 32 para ambos os segmentos. Segundo Demarco, a bolsa tem mais dois espaços de co-location, com 40 meios racks cada, prontos para entrar em operação.
Modalidades de acesso
• 1. DMA Tradicional
Modalidade mais simples de acesso direto ao mercado, o DMA 1 está disponível no segmento de ações desde 1999 e no de derivativos, há quase dois anos.
Nele, o cliente opera no sistema Mega Bolsa por intermédio da estrutura tecnológica da corretora. As ordens enviadas pelo cliente trafegam pela infraestrutura da corretora antes de alcançar o sistema eletrônico de negociação. O home broker é um exemplo.
• 2. DMA Via Provedor
Neste modelo, as ordens são enviadas via infraestrutura tecnológica fornecida por uma empresa provedora de serviços de roteamento de ordens, como a Cedro Finances ou a Marcopolo Networks.
Na prática, o cliente se conecta à rede da empresa provedora de DMA e ela ao sistema da Bolsa. As mensagens enviadas pelo investidor não trafegam pela infraestrutura tecnológica da corretora, como no DMA 1.
• 3. DMA via Conexão Direta
Na modalidade 3, o envio de ofertas é feito via conexão direta do cliente com a bolsa, sem a utilização de infraestrutura tecnológica intermediária.
Como ocorre em todos os outros modelos, no entanto, é a corretora que concede o acesso ao investidor, estabelecendo os seus limites operacionais no pregão e monitorando as operações que realiza nos dois segmentos.
• 4. DMA via co-location
As ordens de compra e venda do cliente são geradas por software instalado em seu servidor - ou computador - hospedado no centro de processamento de dados da bolsa.
Para fins de monitoração, configuração de parâmetros, administração e manutenção, o cliente possui acesso remoto ao seu equipamento. Ganha-se em proximidade e velocidade do processamento das ordens.
SELIC ESTAVEL: Fundamentos
1. O ambiente internacional de baixo crescimento das economias maduras (Estados Unidos, Zona do Euro e Japão) implica em viés desinflacionário para os bens comercializáveis, como mostram as principais medidas de núcleo para a inflação nos EUA. Reiteramos que o vento desinflacionário é significativo e deve afetar a inflação doméstica ao longo dos próximos meses;
2. A “taxa de juros real neutra global” (1) está historicamente baixa e assim deve permanecer nos próximos trimestres já que o “hiato do produto global” segue no terreno negativo. Nos EUA, em especial, o recado do Banco Central (Fed) é bem claro em relação a isso (taxa nominal deve permanecer entre 0% e 0,25% por um período prolongado);
3. A taxa de juros real atual (6%) não se encontra muito distante do patamar neutro por nós estimado (entre 6% a 7%). No contexto de atividade econômica mundial mais fraca, não parece necessário colocar a taxa de juros real significativamente acima do patamar neutro. Além disso, vale lembrar que a taxa de câmbio real também se encontra em patamar relativamente apreciado o que sugere, neste momento, taxa de juros neutra relativamente mais baixa;
4. A maior eficácia da política monetária. Vale lembrar que mesmo sem o aumento de 50 pontos-base (p.b.) efetuado pelo Copom na reunião de julho, a modelagem econométrica do BC já apontava convergência da inflação para a trajetória de metas no início de 2012. A alta de 50 p.b. efetuada em julho, portanto, reforçou esse movimento;
5. As medidas de hiato do produto da economia doméstica apresentam trajetória de desaceleração, ao contrário do registrado até o início do 2T10. Estimamos que, em 2011, a economia apresente crescimento de 4,3%, não acima da taxa potencial, estimada entre 4,3% e 4,8%.
2. A “taxa de juros real neutra global” (1) está historicamente baixa e assim deve permanecer nos próximos trimestres já que o “hiato do produto global” segue no terreno negativo. Nos EUA, em especial, o recado do Banco Central (Fed) é bem claro em relação a isso (taxa nominal deve permanecer entre 0% e 0,25% por um período prolongado);
3. A taxa de juros real atual (6%) não se encontra muito distante do patamar neutro por nós estimado (entre 6% a 7%). No contexto de atividade econômica mundial mais fraca, não parece necessário colocar a taxa de juros real significativamente acima do patamar neutro. Além disso, vale lembrar que a taxa de câmbio real também se encontra em patamar relativamente apreciado o que sugere, neste momento, taxa de juros neutra relativamente mais baixa;
4. A maior eficácia da política monetária. Vale lembrar que mesmo sem o aumento de 50 pontos-base (p.b.) efetuado pelo Copom na reunião de julho, a modelagem econométrica do BC já apontava convergência da inflação para a trajetória de metas no início de 2012. A alta de 50 p.b. efetuada em julho, portanto, reforçou esse movimento;
5. As medidas de hiato do produto da economia doméstica apresentam trajetória de desaceleração, ao contrário do registrado até o início do 2T10. Estimamos que, em 2011, a economia apresente crescimento de 4,3%, não acima da taxa potencial, estimada entre 4,3% e 4,8%.
INFLAÇÃO: BC diz que precisa de menos juros
O Banco Central foi explícito nesta ata do Copom e explicou por que parou de subir os juros. Disse que a taxa de juros de equilíbrio hoje é menor porque a "política monetária" ganhou potência. Ou seja, ela pode ser mais baixa porque faz mais efeito do que antes. "As pressões inflacionárias são contidas com mais eficiência".
Isso está no parágrafo 19 que é o ponto chave da ata. Com esse argumento, o que o Banco Central está fazendo é respondendo às críticas de que ele estava com uma comunicação confusa e que poderia estar tomando a decisão de suspender o ciclo de elevação dos juros pelo calendário político. Aqui no blog e na coluna o que tem sido sustentado é que o BC tinha espaço para parar de subir juros e está aí a notícia abaixo mostrando três meses de inflação zero, pelo IPCA, e a taxa em doze meses em 4,49%, ou seja, na meta.
O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC, avalia que o BC foi bem claro no que ele disse, apesar de não dizer como calculou essa sua nova taxa de equilíbrio:
- Mas tirou dúvidas do mercado sobre as razões que o levaram a tomar a decisão que tomou. Isso é bom. Outros economistas de mercado com quem conversei hoje de manhã também percebem um avanço na comunicação do Banco Central - diz Luiz Roberto Cunha.
Em texto enviado para cá, o economista Luiz Otávio Leal também cita o parágrafo 19 como crucial para entender o recado do BC.
No texto, o BC responde aos críticos, dizendo que "as estimativas mais pessimistas não encontram amparo nos fundamentos"; em outras palavras, estão erradas.
Luiz Roberto admite que a inflação deve subir e ficar por volta de 0,4% ao mês nos próximos meses, mas isso não muda o quadro; portanto, os juros devem permanecer estáveis. Quanto a um cenário de queda da taxa, ele não ficou ainda visível pelo menos por esta ata. No fim de setembro, quando divulgar o relatório, deve, então, ficar mais explicada toda essa mudança da taxa de juros de equilíbrio detectada pelo Banco Central.
Isso está no parágrafo 19 que é o ponto chave da ata. Com esse argumento, o que o Banco Central está fazendo é respondendo às críticas de que ele estava com uma comunicação confusa e que poderia estar tomando a decisão de suspender o ciclo de elevação dos juros pelo calendário político. Aqui no blog e na coluna o que tem sido sustentado é que o BC tinha espaço para parar de subir juros e está aí a notícia abaixo mostrando três meses de inflação zero, pelo IPCA, e a taxa em doze meses em 4,49%, ou seja, na meta.
O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC, avalia que o BC foi bem claro no que ele disse, apesar de não dizer como calculou essa sua nova taxa de equilíbrio:
- Mas tirou dúvidas do mercado sobre as razões que o levaram a tomar a decisão que tomou. Isso é bom. Outros economistas de mercado com quem conversei hoje de manhã também percebem um avanço na comunicação do Banco Central - diz Luiz Roberto Cunha.
Em texto enviado para cá, o economista Luiz Otávio Leal também cita o parágrafo 19 como crucial para entender o recado do BC.
No texto, o BC responde aos críticos, dizendo que "as estimativas mais pessimistas não encontram amparo nos fundamentos"; em outras palavras, estão erradas.
Luiz Roberto admite que a inflação deve subir e ficar por volta de 0,4% ao mês nos próximos meses, mas isso não muda o quadro; portanto, os juros devem permanecer estáveis. Quanto a um cenário de queda da taxa, ele não ficou ainda visível pelo menos por esta ata. No fim de setembro, quando divulgar o relatório, deve, então, ficar mais explicada toda essa mudança da taxa de juros de equilíbrio detectada pelo Banco Central.
PETROBRAS - Capitlização
SÃO PAULO – Segundo nota emitida pela Petrobras (PETR3, PETR4) na manhã desta quinta-feira (9), a BM&F Bovespa informou que não irá estabelecer norma para que as ações de emissão da estatal passem a ser negociadas sob forma “ex-subscrição”, uma vez que o preço dos novos papéis serão formados através do processo de bookbuilding (coleta de intenções de investimentos).
“Considerando que o preço de emissão das ações objeto da distribuição publica primaria (...) será fixado através de procedimento de bookbuilding apos o encerramento do período de reserva da oferta prioritária destinada aos acionistas, a BM&F Bovespa informa que não estabelecerá norma para que as ações de emissão dessa empresa passem a ser negociadas na condição de ‘ex-subscrição’”, revela a nota.
Períodos
Cabe lembrar que o período de reserva da oferta prioritária e para a oferta de varejo começa no dia 13 de setembro, enquanto no dia 14 encerra-se o período de reserva das duas ofertas para as pessoas vinculadas. Já o encerramento da reserva da oferta prioritária para pessoas não vinculadas ocorre em 16 de setembro e da oferta de varejo para pessoas não vinculadas, em 22 de setembro
Quanto ao processo do bookbuilding, este teve início em 3 de setembro, com encerramento no dia 23 do mesmo mês.
“Considerando que o preço de emissão das ações objeto da distribuição publica primaria (...) será fixado através de procedimento de bookbuilding apos o encerramento do período de reserva da oferta prioritária destinada aos acionistas, a BM&F Bovespa informa que não estabelecerá norma para que as ações de emissão dessa empresa passem a ser negociadas na condição de ‘ex-subscrição’”, revela a nota.
Períodos
Cabe lembrar que o período de reserva da oferta prioritária e para a oferta de varejo começa no dia 13 de setembro, enquanto no dia 14 encerra-se o período de reserva das duas ofertas para as pessoas vinculadas. Já o encerramento da reserva da oferta prioritária para pessoas não vinculadas ocorre em 16 de setembro e da oferta de varejo para pessoas não vinculadas, em 22 de setembro
Quanto ao processo do bookbuilding, este teve início em 3 de setembro, com encerramento no dia 23 do mesmo mês.
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