Os consumidores podem ter dado um teto aos preços da carne, após atingir o recorde desde o início do Plano Real. A arroba do boi gordo voltou a cair e já acumula perdas de 11% nas últimas quatro semanas.
Segundo dados do Centro de Estudos Aplicados em Economia Aplicada (Cepea), o preço pago ao criador de gado em São Paulo voltou ao nível de R$ 103, após ter atingido pico de R$ 116 em novembro.
De acordo com pesquisas do Cepea com agentes de mercado, o teto de preços partiu dos varejistas. Os preços pagos aos frigoríficos atingiram pico em 10 de novembro, com a carne (carcaça casada, com osso) chegando a R$ 7,36 por quilo.
Após o pico, a carne desvalorizou 15% no atacado da Grande São Paulo — o que indica que os consumidores estão tendo resistência aos preços elevados. Com o último dado do Índice de Preços dao Consumidor Amplo (IPCA), a carne acumula alta de 26,8% no ano.
"Mesmo com a queda, o patamar de preços ainda está bem alto", lembra Hyberville Neto, analista da Scot Consultoria. Apenas neste ano, a arroba (equivalente a 14,7 quilos) do boi gordo em São Paulo acumula alta de 51%, segundo dados da Scot.
O analista ressalta que as recentes chuvas melhoraram a condição dos pastos, e os produtores foram estimulados a vender com os preços altos — e as vendas foram reforçadas com o susto da queda.
"O pecuarista começou a aproveitar. E, quando ocorreu a primeira queda, quem tinha boi começou a vender mesmo".
Mas o recuo não significa que os preços vão continuar caindo. "Os estoques dos frigoríficos já recuaram, indicando que houve resistência a essa queda".
Além da resistência à queda, com a forte demanda esperada para dezembro, uma queda no quilo da carne no varejo pode demorar.
"Para a dona de casa, mudou pouca coisa", explica Hyberville. "Com o recuo dos preços no atacado, o varejo absorveu um pouco essa margem".
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
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