Um balanço divulgado na noite de ontem pela Caixa Econômica Federal apontou que os cerca de 25 mil trabalhadores que usaram o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações da Petrobras injetaram R$ 423,7 milhões na petrolífera.
De acordo com o banco, que administra os recursos do FGTS, o investimento somou R$ 423.757.321 pertencente a 25.544 trabalhadores. Como cada empregado pode ter mais de uma conta no FGTS, o total de contas que participaram da capitalização da Petrobras foi de 31.273.
A operação, ressaltou a Caixa, envolveu a participação de 25 administradoras e 46 fundos mútuos de privatização. No momento, os valores aplicados estão retidos. Somente na quinta-feira (29), data da liquidação da oferta, o dinheiro será repassado à Bolsa de Valores de São Paulo.
Só puderam participar da capitalização da Petrobras os trabalhadores cotistas do Fundo Mútuo de Participação (FMP) que haviam comprado ações da empresa em 2.000. Eles tiveram preferência na oferta pública para aumento do capital social da petrolífera, mas só puderam investir até 30% do saldo do FGTS ou a proporção necessária para manter o nível de participação na companhia, prevalecendo o menor valor.
Por causa desses limitadores, informou a Caixa, foram pedidos R$ 563,3 milhões, mas liberados R$ 423,7 milhões, 75% do que os trabalhadores estavam dispostos a investir na Petrobras. O dinheiro terá de ficar pelo menos um ano aplicado nas ações da estatal. Somente depois dessa carência, o trabalhador poderá retirar o investimento e retorná-lo à conta do FGTS.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
USIMINAS: Desdobramento de Acoes
USINAS SIDERURGICAS DE MINAS GERAIS S.A. - USIMINAS CNPJ/MF 60.894.730/0001-05 NIRE 313.000.1360-0 AVISO AOS ACIONISTAS Usinas Siderurgicas de Minas Gerais S.A. - USIMINAS ("USIMINAS" ou "Companhia") vem informar que, em Assembleia Geral Extraordinaria realizada nesta data (27/09/2010), foi aprovado o desdobramento de acoes de emissao da Companhia na proporcao de 1 (uma) nova acao para cada acao existente. Assim, cada acao do capital social passara a ser representada por 2 (duas) acoes. As acoes advindas do desdobramento serao da mesma especie e classe, conferindo aos seus titulares os mesmos direitos das acoes previamente existentes. Conforme anteriormente informado pela Companhia, os acionistas que adquiriram ou mantiveram posicao acionaria ate esta data (27/09/2010) terao direito ao recebimento das acoes decorrentes do desdobramento. A partir de 28/09/2010, as acoes de emissao da Companhia passarao a ser negociadas sem direito as acoes advindas do desdobramento. Para efetivacao do desdobramento de acoes no Brasil, a instituicao depositaria, Banco Bradesco S.A., tomara as providencias necessarias de modo a efetuar o credito, ate o dia 1 de outubro de 2010, das novas acoes na conta dos acionistas da Companhia que fizerem jus ao seu recebimento. Com relacao aos titulos em circulacao no mercado Norte-Americano, sera mantida a razao acao/American Depositary Receipt ("ADR") em 1/1, ou seja, cada ADR continuara sendo representado por uma acao apos o desdobramento ora aprovado, cabendo ao agente depositario a emissao dos novos titulos e sua distribuicao aos respectivos titulares. Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010."
Norma: a partir de 28/09/2010 acoes escriturais ex-desdobramento.
Norma: a partir de 28/09/2010 acoes escriturais ex-desdobramento.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Mobius diz que operação é 'abominável' e prevê bolha
O investidor Mark Mobius disse que a capitalização da Petrobras foi uma operação "abominável", que tratou minoritários injustamente e que pode sinalizar a formação de uma "bolha" de ofertas iniciais.
"Todo o processo da Petrobras é abominável e uma violação terrível dos direitos de acionistas", disse Mobius, que administra US$ 34 bilhões como presidente da Templeton Asset Management, em entrevista por telefone do Cazaquistão. "Podemos estar entrando numa bolha. Isso significa que as pessoas não estão mais olhando para os valores e comprando essas coisas irracionalmente."
"A ideia de o governo não entrar com dinheiro e definir um preço no mínimo questionável para as reservas é injusta", disse.
A assessoria de imprensa da Petrobras disse que a empresa não comenta opiniões de investidores.
"Eles dizem que foi grande a participação de investidores brasileiros, mas, na realidade, para garantir que desse certo, o governo está dando um jeito para que suas agências" invistam no negócio, disse Mobius. "A questão é: quem são os compradores?"
Mobius disse que outra política que pode reduzir as perspectivas de lucro da estatal é a exigência de conteúdo local, que dá um tratamento preferencial a empresas brasileiras que fornecem produtos e serviços ao setor de petróleo.
"Se esse dinheiro fosse gasto em serviços e produtos competitivos internacionalmente, tudo bem", disse. "Mas eles estão limitados às compras locais, o que significa que vão pagar mais do que deveriam para explorar o petróleo."
Will Landers, da BlackRock, disse que o fato de a Petrobras ter sido capaz de realizar a oferta dez dias antes de uma eleição presidencial mostra que o mercado evoluiu. "Continuo muito positivo quanto ao mercado brasileiro de ações."
"Todo o processo da Petrobras é abominável e uma violação terrível dos direitos de acionistas", disse Mobius, que administra US$ 34 bilhões como presidente da Templeton Asset Management, em entrevista por telefone do Cazaquistão. "Podemos estar entrando numa bolha. Isso significa que as pessoas não estão mais olhando para os valores e comprando essas coisas irracionalmente."
"A ideia de o governo não entrar com dinheiro e definir um preço no mínimo questionável para as reservas é injusta", disse.
A assessoria de imprensa da Petrobras disse que a empresa não comenta opiniões de investidores.
"Eles dizem que foi grande a participação de investidores brasileiros, mas, na realidade, para garantir que desse certo, o governo está dando um jeito para que suas agências" invistam no negócio, disse Mobius. "A questão é: quem são os compradores?"
Mobius disse que outra política que pode reduzir as perspectivas de lucro da estatal é a exigência de conteúdo local, que dá um tratamento preferencial a empresas brasileiras que fornecem produtos e serviços ao setor de petróleo.
"Se esse dinheiro fosse gasto em serviços e produtos competitivos internacionalmente, tudo bem", disse. "Mas eles estão limitados às compras locais, o que significa que vão pagar mais do que deveriam para explorar o petróleo."
Will Landers, da BlackRock, disse que o fato de a Petrobras ter sido capaz de realizar a oferta dez dias antes de uma eleição presidencial mostra que o mercado evoluiu. "Continuo muito positivo quanto ao mercado brasileiro de ações."
Governo não consegue 50% da Petrobras
Ações da empresa estreiam com instabilidade e caem até 2,19% na Bolsa de Nova York em dia de revisão do otimismo
Adesão dos demais acionistas surpreende e impede governo de aumentar ainda mais participação na estatal
O governo Lula deve sair da capitalização da Petrobras, a mais ambiciosa parceria feita com as finanças globais, sem atingir a meta de alcançar 50% do capital da companhia, como ocorria até o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
A União só chegou, até agora, a 48% do capital da estatal, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda). Em tese, pode ainda elevar essa participação se comprar ações nos lotes extras ainda disponíveis. Mas é improvável que consiga isso à frente dos demais interessados.
A Petrobras captou até R$ 120,4 bilhões na maior oferta de ações já feita no mundo. Apesar do sucesso da operação, as novas ações estrearam ontem na Bolsa de Nova York com uma dose de ceticismo dos investidores.
Após forte instabilidade, terminaram o dia com baixa de 2,19% para os ADRs (recebido de ações nos EUA) ON e de 1,88% para os PN.
Os investidores tiveram ontem uma atitude mais comedida em relação à megaoferta. Isso porque os coordenadores não colocaram à venda todo o lote extra.
Os novos papéis também saíram com desconto alto em relação à Bolsa, estimulando a venda com preço superior ao comprado na oferta.
PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO
Em plena festa na BM&FBovespa, o ministro Mantega se adiantou para dizer que o governo tinha aumentado sua participação na estatal de 40% para 48%.
A informação sobre quem compra os papéis é uma das mais confidenciais de toda a operação e pode ser revelada só em 29 de outubro, data do balanço de encerramento. Será quando o mercado saberá se fundos soberanos da Ásia e do Oriente Médio aderiram à oferta.
A fatia do governo "vazada" pelo ministro inclui também as ações compradas pelo BNDESPar, pela Caixa Econômica Federal e pelo próprio Fundo Soberano.
"É a maior capitalização já feita na história do capitalismo. Acontece no momento mais difícil da recuperação do mundo, quando ainda há muitos problemas financeiros, e a dez dias da eleição no Brasil. Diria que é um feito importante", disse Mantega.
No caso, o governo foi vítima do próprio sucesso da Petrobras com seus acionistas, que tiveram prioridade para comprar os novos papéis para não serem diluídos.
A expectativa inicial era que boa parte desses acionistas ficasse fora, possibilitando ao governo comprar grande parte das "sobras". Isso não aconteceu, como adiantou a Folha.
Na capitalização, o governo reservou R$ 74,8 bilhões para comprar ações. Diferentemente dos minoritários que entram com dinheiro, o governo cede títulos que mais tarde "viram" os 5 bilhões de barris de petróleo.
É provável que o governo não tenha conseguido emplacar todos os R$ 74,8 bilhões na compra de ações. Se não levar tudo em ações, ganhará dinheiro vivo dos investidores como "prêmio de consolação". O dinheiro vai para o Tesouro equilibrar as contas públicas.
Isso porque a oferta estabelece que, em qualquer cenário, o governo vende R$ 74,8 bilhões em barris para a Petrobras, mesmo que nem todo esse volume seja convertido em novas ações.
Adesão dos demais acionistas surpreende e impede governo de aumentar ainda mais participação na estatal
O governo Lula deve sair da capitalização da Petrobras, a mais ambiciosa parceria feita com as finanças globais, sem atingir a meta de alcançar 50% do capital da companhia, como ocorria até o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
A União só chegou, até agora, a 48% do capital da estatal, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda). Em tese, pode ainda elevar essa participação se comprar ações nos lotes extras ainda disponíveis. Mas é improvável que consiga isso à frente dos demais interessados.
A Petrobras captou até R$ 120,4 bilhões na maior oferta de ações já feita no mundo. Apesar do sucesso da operação, as novas ações estrearam ontem na Bolsa de Nova York com uma dose de ceticismo dos investidores.
Após forte instabilidade, terminaram o dia com baixa de 2,19% para os ADRs (recebido de ações nos EUA) ON e de 1,88% para os PN.
Os investidores tiveram ontem uma atitude mais comedida em relação à megaoferta. Isso porque os coordenadores não colocaram à venda todo o lote extra.
Os novos papéis também saíram com desconto alto em relação à Bolsa, estimulando a venda com preço superior ao comprado na oferta.
PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO
Em plena festa na BM&FBovespa, o ministro Mantega se adiantou para dizer que o governo tinha aumentado sua participação na estatal de 40% para 48%.
A informação sobre quem compra os papéis é uma das mais confidenciais de toda a operação e pode ser revelada só em 29 de outubro, data do balanço de encerramento. Será quando o mercado saberá se fundos soberanos da Ásia e do Oriente Médio aderiram à oferta.
A fatia do governo "vazada" pelo ministro inclui também as ações compradas pelo BNDESPar, pela Caixa Econômica Federal e pelo próprio Fundo Soberano.
"É a maior capitalização já feita na história do capitalismo. Acontece no momento mais difícil da recuperação do mundo, quando ainda há muitos problemas financeiros, e a dez dias da eleição no Brasil. Diria que é um feito importante", disse Mantega.
No caso, o governo foi vítima do próprio sucesso da Petrobras com seus acionistas, que tiveram prioridade para comprar os novos papéis para não serem diluídos.
A expectativa inicial era que boa parte desses acionistas ficasse fora, possibilitando ao governo comprar grande parte das "sobras". Isso não aconteceu, como adiantou a Folha.
Na capitalização, o governo reservou R$ 74,8 bilhões para comprar ações. Diferentemente dos minoritários que entram com dinheiro, o governo cede títulos que mais tarde "viram" os 5 bilhões de barris de petróleo.
É provável que o governo não tenha conseguido emplacar todos os R$ 74,8 bilhões na compra de ações. Se não levar tudo em ações, ganhará dinheiro vivo dos investidores como "prêmio de consolação". O dinheiro vai para o Tesouro equilibrar as contas públicas.
Isso porque a oferta estabelece que, em qualquer cenário, o governo vende R$ 74,8 bilhões em barris para a Petrobras, mesmo que nem todo esse volume seja convertido em novas ações.
Como fica o dólar sem o evento Petrobras?
Nesta semana o evento oferta de ações da Petrobras chega ao fim. Pelo menos em termos financeiros, já que na quarta-feira, dia 29, acontece a liquidação financeira da oferta.
Então, todos os dólares que tinham de entrar no país em função dessa operação devem estar internados até o dia 27 em função do prazo de liquidação de dois dias.
Passado o evento, apontado como principal fonte de pressão sobre a cotação do dólar, a pergunta que se faz é: e agora, para que lado vai a taxa de câmbio?
Estrangeiro está vendido em US$ 8,14 bilhões na BM&F
O economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, encara todo esse processo envolvendo a Petrobras como um catalisador, ou seja, um agente que acelerou um processo que já estava em andamento, que era a apreciação do real.
Findo o efeito desse catalisador, continuam prevalecendo os fundamentos macroeconômicos globais e locais que balizam essa valorização da moeda brasileira. Em outras palavras, nada muda.
Pelo campo externo, diz Oliveira, o viés do dólar continua sendo de baixa. O mercado está certo em elevar o preço do euro para US$ 1,33/US$ 1,34. "Antes, se pensava em alta de juros na economia americana no final de 2010. Agora, se discute a adoção de novas medidas de estímulo nos Estados Unidos", diz o especialista, lembrando que, até mesmo quando a economia americana começar a crescer com algum vigor, o dólar continuará perdendo valor em função da inflação que acompanhará esse processo.
Pelo lado local, a história também continua a mesma. O Brasil é um dos poucos países que oferece as duas coisas que os investidores ao redor do mundo estão procurando: retorno e crescimento.
Temos juros nominais de 10,75% e crescimento do PIB estimado em 7,5% em 2010, e 4,5% em 2011.
Além de reunir os dois atributos mais procurados no momento, o Brasil ainda oferece um seguro de mais de US$ 270 bilhões em reservas e uma probabilidade de default soberano inferior a muitos países agraciados com rating "A". Todas as qualidades são reconhecidas, mas parte do mercado também acredita que a onda de valorização do real, se não chegou ao fim, perde bastante força.
Entre as justificativas, a piora das contas externas. O déficit em conta corrente é crescente e o próprio Banco Central (BC) revisou para baixo suas estimativas de ingresso via Investimento Estrangeiro Direto (IED) para este ano.
Outro nó a ser desatado está no mercado futuro. Até o dia 23, último dado disponível, a posição vendida (aquela que ganha com a valorização do real) dos estrangeiros em dólar futuro somava US$ 8,14 bilhões. O investidor institucional nacional também estava vendido em outros US$ 4,26 bilhões.
No lado oposto estão os bancos, com posição comprada (aquela que ganha com a valorização do dólar) de US$ 7,25 bilhões, e o grupo outras pessoas jurídicas financeiras, comprado em US$ 4,08 bilhões.
Há quem enxergue nessa posição comprada dos bancos o sinal de que a próxima movimentação do dólar é para cima. O raciocínio aqui é o seguinte: a posição vendida no mercado à vista vem sendo reduzida com uso dos dólares que vieram para a oferta de ações da Petrobras.
Essa redução de posição à vista aliada à compra de contratos futuros está reduzindo substancialmente a exposição líquida dos bancos, que caiu de mais de US$ 10 bilhões, no começo do mês, para cerca de US$ 4 bilhões.
Então, todos os dólares que tinham de entrar no país em função dessa operação devem estar internados até o dia 27 em função do prazo de liquidação de dois dias.
Passado o evento, apontado como principal fonte de pressão sobre a cotação do dólar, a pergunta que se faz é: e agora, para que lado vai a taxa de câmbio?
Estrangeiro está vendido em US$ 8,14 bilhões na BM&F
O economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, encara todo esse processo envolvendo a Petrobras como um catalisador, ou seja, um agente que acelerou um processo que já estava em andamento, que era a apreciação do real.
Findo o efeito desse catalisador, continuam prevalecendo os fundamentos macroeconômicos globais e locais que balizam essa valorização da moeda brasileira. Em outras palavras, nada muda.
Pelo campo externo, diz Oliveira, o viés do dólar continua sendo de baixa. O mercado está certo em elevar o preço do euro para US$ 1,33/US$ 1,34. "Antes, se pensava em alta de juros na economia americana no final de 2010. Agora, se discute a adoção de novas medidas de estímulo nos Estados Unidos", diz o especialista, lembrando que, até mesmo quando a economia americana começar a crescer com algum vigor, o dólar continuará perdendo valor em função da inflação que acompanhará esse processo.
Pelo lado local, a história também continua a mesma. O Brasil é um dos poucos países que oferece as duas coisas que os investidores ao redor do mundo estão procurando: retorno e crescimento.
Temos juros nominais de 10,75% e crescimento do PIB estimado em 7,5% em 2010, e 4,5% em 2011.
Além de reunir os dois atributos mais procurados no momento, o Brasil ainda oferece um seguro de mais de US$ 270 bilhões em reservas e uma probabilidade de default soberano inferior a muitos países agraciados com rating "A". Todas as qualidades são reconhecidas, mas parte do mercado também acredita que a onda de valorização do real, se não chegou ao fim, perde bastante força.
Entre as justificativas, a piora das contas externas. O déficit em conta corrente é crescente e o próprio Banco Central (BC) revisou para baixo suas estimativas de ingresso via Investimento Estrangeiro Direto (IED) para este ano.
Outro nó a ser desatado está no mercado futuro. Até o dia 23, último dado disponível, a posição vendida (aquela que ganha com a valorização do real) dos estrangeiros em dólar futuro somava US$ 8,14 bilhões. O investidor institucional nacional também estava vendido em outros US$ 4,26 bilhões.
No lado oposto estão os bancos, com posição comprada (aquela que ganha com a valorização do dólar) de US$ 7,25 bilhões, e o grupo outras pessoas jurídicas financeiras, comprado em US$ 4,08 bilhões.
Há quem enxergue nessa posição comprada dos bancos o sinal de que a próxima movimentação do dólar é para cima. O raciocínio aqui é o seguinte: a posição vendida no mercado à vista vem sendo reduzida com uso dos dólares que vieram para a oferta de ações da Petrobras.
Essa redução de posição à vista aliada à compra de contratos futuros está reduzindo substancialmente a exposição líquida dos bancos, que caiu de mais de US$ 10 bilhões, no começo do mês, para cerca de US$ 4 bilhões.
A azia do dólar
É um debate menor só discutir fluxos e câmbio, já que insuficiente para um problema estrutural
A tendência de forte valorização do real incomoda, preocupa e não há o que fazer, além de “comprar, comprar”, como diria o ministro Guido Mantega, todo o fluxo líquido de dólares que chega ao país.
Se os dólares “ociosos” não fossem enxugados, o câmbio já estaria no nível de R$ 1,50, segundo algumas projeções. É o que aconteceu antes da grande crise de 2008, puxada, como hoje, pela retomada do investimento e do consumo doméstico, cortando produção exportável — absorvida pelo mercado interno — e inflando as importações.
E assim será a cada ciclo de crescimento — e só acabará quando a oferta, função do investimento, se equilibrar à demanda, e deixar excedentes para exportação em volume compatível com as remessas de lucros e juros derivados dos capitais internados no país.
Por coisas assim é que a Índia veda o giro de sua dívida pública pelo capital externo de curto prazo e desestimula os investimentos de empresas estrangeiras em setores que não gerem exportações.
No Brasil, essa discussão nem existe. Só se discutem os fluxos de dólares e a taxa de câmbio. É um debate menor, já que insuficiente para um problema cuja solução contempla o aumento do investimento, com foco na transformação estrutural da economia, e a renda futura do pré-sal. O tratamento apropriado demanda concepções de política industrial, e não só financeiras, com pitadas de indução fiscal.
O investimento para aumentar a oferta é o antídoto contra o para-anda da economia, acionado toda vez que a inflação e o deficit em conta corrente ameaçam desgarrar. Como se para? Com o aumento dos juros pelo Banco Central e corte de gastos públicos pela Fazenda.
Na sequência, o investimento empresarial desacelera, o desemprego reaparece, o deficit e inflação desinflam, mas não necessariamente implicam mudança da taxa cambial, e a economia em um a dois anos está pronta para voltar a crescer, ou seja, andar depois de parar.
Não se chegou a tanto, mas se pode estar nessa rota. Os deficits externos, segundo análise do Bradesco, apontam para US$ 51 bilhões este ano (2,6% do PIB), contra US$ 23,4 bilhões (1,6% do PIB) em 2009, e devem atingir US$ 69 bilhões (3,1% do PIB) em 2011.
Tais deficits são perfeitamente financiáveis — à luz dos cenários da economia global em 2011 —, mas vão formando uma bola de neve, já que cumulativos, exigindo cada vez mais superavit comercial e capitais externos para fechar a conta. A economia tende a perder autonomia, tornando-se dependente do humor dos mercados globais.
Influências políticas
A discussão nos bastidores de um provável governo Dilma Rousseff — antecipada por Mantega com seus alertas sobre os malefícios da apreciação do real — tem tal enfoque: reaver a competitividade das exportações e livrar a produção interna de importações favorecidas pelo câmbio forte, preservando, além disso, a aceleração da taxa de investimentos e o ritmo do consumo, sem maior aperto fiscal.
Essas condicionantes não são compatíveis e revelam influência de áreas políticas sobre as diretrizes da macroeconomia. Alguma dose de aperto haverá. Talvez não baste apenas redirecionar o projetado aumento de arrecadação para o investimento e superavit primário, a receita da equipe de Mantega para fazer omelete sem quebrar ovos.
O rodo que não seca
Não é que não haja alternativas às compras de divisas pelo Banco Central e incorporadas às reservas do país, que só têm crescido, já estando em US$ 273 bilhões. Ou pelo Tesouro, restrito ao serviço da dívida pública externa. Ou pelo Fundo Soberano do Brasil (FSB), conforme desejo de Mantega. O FSB poderá aplicar seus dólares, por exemplo, em linhas de crédito do BNDES ao importador de bens brasileiros.
Como modelo operacional para o FSB, faz sentido e é necessário. O duvidoso é que ajude a minguar o real, se a experiência do BC, que intervém no câmbio sem limite, argumento de Mantega para por o FSB na roda, revela a pouca eficácia dessa ação para rebaixar o real. Na prática, o valoriza, como adverte o especialista Sidney Nehme.
E virá mais dos EUA
O que vai ficando claro é o esgotamento de algumas linhas de ação da política econômica, enquanto há sinal de que o dólar terá outra onda de desvalorização, passada a eleição legislativa nos EUA em 2 de novembro. Foi o que insinuou, semana passada, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Os capitais ociosos sairão em busca de opções rentáveis, imbatíveis no Brasil com Selic de 10,75% e a inflação ao redor de 5%, e de baixo risco, pelo menos por mais um ano. Se isso for para já, as providências também terão de ser.
A guerra é dos outros
Consumo encolhendo, desemprego aumentando, juros no ponto zero da régua, cidadãos enfurecidos e risco de o governo perder a maioria na Câmara e talvez no Senado levam os EUA para o corner. Mas como têm o monopólio do dólar, as demais economias é que viram a bola da vez, com o governo Barack Obama segurando o taco para enfiar na caçapa quem estiver desprevenido. Com os juros recordes no mundo e o consumo aquecido, o Brasil é candidato a sentir as dores dos EUA pelas inconsistências da economia — do câmbio flutuante, sem haver poupança fiscal que o influencie, aos desalinhamentos acertados, já nem importa as razões, com juro de dois dígitos. Ou são criadas barreiras, mesmo temporárias, que protejam a economia das disputas cambiais pelo mundo ou vai-se acabar lutando a guerra dos outros.
A tendência de forte valorização do real incomoda, preocupa e não há o que fazer, além de “comprar, comprar”, como diria o ministro Guido Mantega, todo o fluxo líquido de dólares que chega ao país.
Se os dólares “ociosos” não fossem enxugados, o câmbio já estaria no nível de R$ 1,50, segundo algumas projeções. É o que aconteceu antes da grande crise de 2008, puxada, como hoje, pela retomada do investimento e do consumo doméstico, cortando produção exportável — absorvida pelo mercado interno — e inflando as importações.
E assim será a cada ciclo de crescimento — e só acabará quando a oferta, função do investimento, se equilibrar à demanda, e deixar excedentes para exportação em volume compatível com as remessas de lucros e juros derivados dos capitais internados no país.
Por coisas assim é que a Índia veda o giro de sua dívida pública pelo capital externo de curto prazo e desestimula os investimentos de empresas estrangeiras em setores que não gerem exportações.
No Brasil, essa discussão nem existe. Só se discutem os fluxos de dólares e a taxa de câmbio. É um debate menor, já que insuficiente para um problema cuja solução contempla o aumento do investimento, com foco na transformação estrutural da economia, e a renda futura do pré-sal. O tratamento apropriado demanda concepções de política industrial, e não só financeiras, com pitadas de indução fiscal.
O investimento para aumentar a oferta é o antídoto contra o para-anda da economia, acionado toda vez que a inflação e o deficit em conta corrente ameaçam desgarrar. Como se para? Com o aumento dos juros pelo Banco Central e corte de gastos públicos pela Fazenda.
Na sequência, o investimento empresarial desacelera, o desemprego reaparece, o deficit e inflação desinflam, mas não necessariamente implicam mudança da taxa cambial, e a economia em um a dois anos está pronta para voltar a crescer, ou seja, andar depois de parar.
Não se chegou a tanto, mas se pode estar nessa rota. Os deficits externos, segundo análise do Bradesco, apontam para US$ 51 bilhões este ano (2,6% do PIB), contra US$ 23,4 bilhões (1,6% do PIB) em 2009, e devem atingir US$ 69 bilhões (3,1% do PIB) em 2011.
Tais deficits são perfeitamente financiáveis — à luz dos cenários da economia global em 2011 —, mas vão formando uma bola de neve, já que cumulativos, exigindo cada vez mais superavit comercial e capitais externos para fechar a conta. A economia tende a perder autonomia, tornando-se dependente do humor dos mercados globais.
Influências políticas
A discussão nos bastidores de um provável governo Dilma Rousseff — antecipada por Mantega com seus alertas sobre os malefícios da apreciação do real — tem tal enfoque: reaver a competitividade das exportações e livrar a produção interna de importações favorecidas pelo câmbio forte, preservando, além disso, a aceleração da taxa de investimentos e o ritmo do consumo, sem maior aperto fiscal.
Essas condicionantes não são compatíveis e revelam influência de áreas políticas sobre as diretrizes da macroeconomia. Alguma dose de aperto haverá. Talvez não baste apenas redirecionar o projetado aumento de arrecadação para o investimento e superavit primário, a receita da equipe de Mantega para fazer omelete sem quebrar ovos.
O rodo que não seca
Não é que não haja alternativas às compras de divisas pelo Banco Central e incorporadas às reservas do país, que só têm crescido, já estando em US$ 273 bilhões. Ou pelo Tesouro, restrito ao serviço da dívida pública externa. Ou pelo Fundo Soberano do Brasil (FSB), conforme desejo de Mantega. O FSB poderá aplicar seus dólares, por exemplo, em linhas de crédito do BNDES ao importador de bens brasileiros.
Como modelo operacional para o FSB, faz sentido e é necessário. O duvidoso é que ajude a minguar o real, se a experiência do BC, que intervém no câmbio sem limite, argumento de Mantega para por o FSB na roda, revela a pouca eficácia dessa ação para rebaixar o real. Na prática, o valoriza, como adverte o especialista Sidney Nehme.
E virá mais dos EUA
O que vai ficando claro é o esgotamento de algumas linhas de ação da política econômica, enquanto há sinal de que o dólar terá outra onda de desvalorização, passada a eleição legislativa nos EUA em 2 de novembro. Foi o que insinuou, semana passada, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Os capitais ociosos sairão em busca de opções rentáveis, imbatíveis no Brasil com Selic de 10,75% e a inflação ao redor de 5%, e de baixo risco, pelo menos por mais um ano. Se isso for para já, as providências também terão de ser.
A guerra é dos outros
Consumo encolhendo, desemprego aumentando, juros no ponto zero da régua, cidadãos enfurecidos e risco de o governo perder a maioria na Câmara e talvez no Senado levam os EUA para o corner. Mas como têm o monopólio do dólar, as demais economias é que viram a bola da vez, com o governo Barack Obama segurando o taco para enfiar na caçapa quem estiver desprevenido. Com os juros recordes no mundo e o consumo aquecido, o Brasil é candidato a sentir as dores dos EUA pelas inconsistências da economia — do câmbio flutuante, sem haver poupança fiscal que o influencie, aos desalinhamentos acertados, já nem importa as razões, com juro de dois dígitos. Ou são criadas barreiras, mesmo temporárias, que protejam a economia das disputas cambiais pelo mundo ou vai-se acabar lutando a guerra dos outros.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Nova Ptax vai dificultar manipulação no câmbio e casado
A Ptax, taxa do BC para o dólar à vista, é usada como referência na liquidação dos contratos futuros
A decisão do Banco Central de alterar o cálculo da Ptax vai dar maior transparência na formação de preços e ajudará a coibir a manipulação no câmbio, disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.
"A medida pode ter algum efeito marginal antecipado, mas seu principal objetivo é melhorar a transparência do mercado e dificultar manipulações", disse Nehme, que trabalha com empresas exportadoras e importadoras brasileiras.
Segundo o executivo, entre as manipulações que podem ser evitadas estão o fechamento de operações com registro em horários diferentes e as chamadas operações "Zé-com-Zé", pelos quais bancos realizariam compras com valores combinados para aumentar ou diminuir os preços.
As mudanças com maior potencial de diminuir as manipulações são a limitação do horário para apuração da Ptax para entre 9h50 e 12h50 e o expurgo das maiores e menores cotações. "O BC provavelmente quis concentrar as apurações nos horários de maior movimento porque é quando o risco de manipulação é menor".
Para Nehme, a mudança poderá afetar as operações conhecidas como dólar casado, nas quais os investidores combinam compras e vendas nos mercados à vista e de futuros. A Ptax, taxa do BC para o dólar à vista, é usada como referência na liquidação dos contratos futuros.
Casado
"Nas operações casadas, os bancos giram bastante o dólar à vista, influenciam a Ptax e isso repercute nos futuros", disse.
De acordo com ele, o efeito da medida nas cotações será limitado. "O dólar cai não apenas pela pressão dos futuros, tanto é que o efeito de um swap cambial também seria um engodo".
Para Nehme, a única alternativa mais efetiva para segurar o real seria diminuir o limite de exposição dos bancos ao risco cambial por meio das posições vendidas.
"Os bancos podem captar com suas linhas dólar a 3% ou 4% ao ano, usando os reais obtidos na conversão como funding ou para operar cupom no mercado interno", disse.
O diretor da NGO acredita que o dólar deve subir naturalmente após o fluxo de Petrobras passar, com as remessas de fim de ano.
Nehme considera que a situação atual é conveniente para o BC, pois o real apreciado ajuda a baratear as importações, favorecendo o cumprimento da meta de inflação.
"As exportações são prejudicadas, mas as empresas sobrevivem vendendo ao mercado externo", disse.
"O dólar vai subir mais à frente pelo próprio desempenho da economia, porque o déficit em conta corrente está aumentando e os investimentos de maior qualidade estão diminuindo com o real forte".
A decisão do Banco Central de alterar o cálculo da Ptax vai dar maior transparência na formação de preços e ajudará a coibir a manipulação no câmbio, disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.
"A medida pode ter algum efeito marginal antecipado, mas seu principal objetivo é melhorar a transparência do mercado e dificultar manipulações", disse Nehme, que trabalha com empresas exportadoras e importadoras brasileiras.
Segundo o executivo, entre as manipulações que podem ser evitadas estão o fechamento de operações com registro em horários diferentes e as chamadas operações "Zé-com-Zé", pelos quais bancos realizariam compras com valores combinados para aumentar ou diminuir os preços.
As mudanças com maior potencial de diminuir as manipulações são a limitação do horário para apuração da Ptax para entre 9h50 e 12h50 e o expurgo das maiores e menores cotações. "O BC provavelmente quis concentrar as apurações nos horários de maior movimento porque é quando o risco de manipulação é menor".
Para Nehme, a mudança poderá afetar as operações conhecidas como dólar casado, nas quais os investidores combinam compras e vendas nos mercados à vista e de futuros. A Ptax, taxa do BC para o dólar à vista, é usada como referência na liquidação dos contratos futuros.
Casado
"Nas operações casadas, os bancos giram bastante o dólar à vista, influenciam a Ptax e isso repercute nos futuros", disse.
De acordo com ele, o efeito da medida nas cotações será limitado. "O dólar cai não apenas pela pressão dos futuros, tanto é que o efeito de um swap cambial também seria um engodo".
Para Nehme, a única alternativa mais efetiva para segurar o real seria diminuir o limite de exposição dos bancos ao risco cambial por meio das posições vendidas.
"Os bancos podem captar com suas linhas dólar a 3% ou 4% ao ano, usando os reais obtidos na conversão como funding ou para operar cupom no mercado interno", disse.
O diretor da NGO acredita que o dólar deve subir naturalmente após o fluxo de Petrobras passar, com as remessas de fim de ano.
Nehme considera que a situação atual é conveniente para o BC, pois o real apreciado ajuda a baratear as importações, favorecendo o cumprimento da meta de inflação.
"As exportações são prejudicadas, mas as empresas sobrevivem vendendo ao mercado externo", disse.
"O dólar vai subir mais à frente pelo próprio desempenho da economia, porque o déficit em conta corrente está aumentando e os investimentos de maior qualidade estão diminuindo com o real forte".
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