Após uma semana intensa em eventos e fortemente focada nos EUA, os investidores voltaram a olhar com mais atenção para a Europa nesta segunda-feira e parecem não ter gostado do que viram. As preocupações com a dívida soberana de países da periferia da zona do euro foram intensificadas, provocando valorização no dólar diante do euro dias antes da cúpula do G-20 - que deverá ter o câmbio entre os principais itens da agenda. O
efeito da cautela também foi sentido nas bolsas, que sofrem ainda com a realização de lucros depois dos ganhos da semana passada.
O índice Dow Jones, por exemplo, atingiu na semana passada níveis que não eram vistos desde o início da crise financeira, em setembro de 2008, como reação aos planos do Federal Reserve de comprar US$ 600 bilhões em bônus do governo dos EUA para estimular a economia do país. Por isso a fraqueza verificada hoje nas bolsas é também uma devolução de parte do rali recente. Às 14h23 (de Brasília), o Dow Jones caía 0,53%, o Nasdaq recuava 0,14% e o S&P 500 perdia 0,50%.
Jim Meyer, diretor de investimentos da Tower Bridge Advisors, afirmou à agência Dow Jones que muitos observadores dos mercados estão se perguntando se não foram longe demais na reação positiva ao programa anunciado pelo Fed. "Há muitos questionamentos sobre se a segunda rodada de afrouxamento quantitativo vai fazer o que ela é destinada a fazer",
comentou.
Algumas notícias corporativas também colaboravam para o declínio nas bolsas. Entre elas, a Boeing avisou a vários clientes que a entrega do avião 787 Dreamliner será adiada por mais 10 meses, segundo informações da publicação especializada Aviation Week. Às 14h23, as ações da companhia, que integram o índice Dow Jones, caíam 1,94% na Bolsa de Nova York. Na Europa, o índice FT-100 de Londres caía 0,47%, o CAC-40 de Paris cedia 0,05% e o DAX de Frankfurt declinava 0,06%.
Os países da periferia da zona do euro voltaram para o foco dos investidores nos últimos dias, em razão de preocupações com a capacidade desses governos de aprovar orçamentos que preveem cortes no déficit e com o impacto que esses cortes terão nas economias e nas finanças dos países. Hoje o spread (prêmio) dos swaps de default de crédito (CDS) de
Irlanda, Portugal e Espanha se ampliaram. A Grécia contraria a tendência, depois de o governista Partido Socialista vencer as eleições locais realizadas no domingo.
A Irlanda é o país onde a evidência de que existem problemas são maiores. O comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, estará hoje e amanhã em Dublin para delinear a análise da União Europeia sobre as dificuldades econômicas do país e a necessidade de uma resposta abrangente, como informou a rede de notícias irlandesa RTÉ News. Os receios pesaram sobre o euro, que, às 14h23, caía para US$ 1,3901, de US$
1,4029 na sexta-feira. Também ajudou a pressionar a moeda europeia a queda de 0,8% na produção industrial da Alemanha em setembro. Economistas consultados pela Dow Jones esperavam que a produção industrial alemã aumentasse 0,5%. No horário citado, o dólar recuava para 81,20
ienes, de 81,35 ienes na sexta-feira.
A alta do dólar diante do euro pesou sobre as commodities, embora o cobre negociado em Nova York ensaiasse um avanço no começo da tarde. Às 14h23, o petróleo para dezembro caía 0,66%, para US$ 86,28 por barril na Nymex, enquanto o cobre para dezembro subia 0,28%, para US$ 3,9595 por libra-peso, na Comex.
No mercado de Treasuries os investidores se preparam para as vendas de títulos que vão totalizar US$ 72 bilhões nesta semana, no que será a primeira rodada de leilões depois da retomada das compras de bônus pelo Fed. Às 14h23, o juro da T-note de 2 anos subia para 0,3829%, o da T-note de 10 anos avançava para 2,5363% e o do T-Bond de 30 anos tinha
alta para 4,1116%.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
BOLSA
A Bovespa oscilou em uma margem estreita até o início desta tarde, tendo variado apenas cerca de 0,50% entre a pontuação máxima e a mínima do dia, mas sempre defendendo o patamar dos 72 mil pontos, embora com um volume financeiro modesto. As ações de bancos e de empresas voltadas à construção civil e ao consumo doméstico caem, ao passo que os papéis das companhias brasileiras exportadoras de commodities avançam, deixando, assim, o Ibovespa de lado, sem uma direção definida. No exterior, a agenda econômica
esvaziada do dia incita uma ligeira realização de lucros, mas os investidores se revestem de cautela e ficam na defensiva, à espera dos fatos programados até o fim da semana.
Às 14 horas, o Ibovespa operava com modesta variação positiva de 0,03%, aos 72.625 pontos, depois de ter oscilando entre uma pontuação máxima aos 72.705 pontos (+0,14%) e uma mínima aos 72.336 pontos (-0,37%). O volume financeiro negociado no momento totalizava quase R$ 2 bilhões, com projeção de giro ao redor de R$ 5,5 bilhões até o fim da jornada. No mesmo horário, em Nova York, o índice Dow Jones recuava 0,57% e o S&P 500
tinha baixa de 0,49% - lembrando que a partir de hoje, o pregão em Wall Street passa a funcionar das 12h30 às 19 horas (de Brasília).
Segundo analistas, os investidores se deparam com uma semana que tende a ser mais morna, após os eventos que marcaram a "Super Semana" e, com isso, a tendência é que os negócios caminhem em uma marcha mais lenta, à espera de novidades no front econômico.
"A semana deve ser de cautela e muita volatilidade nos negócios, com chances de os índices acionários devolverem parte da esticada recente, que os colocou de volta aos níveis de 2008", comenta o chefe da mesa de renda variável de uma corretora paulista, lembrando que são poucos os indicadores sobre a economia dos EUA que estão programados para o
período. Para os especialistas, os holofotes estão voltados para o encontro de cúpula do G-20, na Coreia do Sul, que começa na quinta-feira. E, até lá, poucos eventos devem agitar os negócios. A exceção fica com a China, que publica números de primeira grandeza sobre sua economia a partir de quarta-feira.
Enquanto esperam os números chineses e as discussões entre os líderes dos países que representam as 20 maiores economias do mundo, as empresas brasileiras exportadoras de matérias-primas recuperam fôlego hoje, depois de terem sido as responsáveis pelo descolamento, para baixo, do desempenho da Bolsa em relação ao sinal observado em Nova York na última sexta-feira.
As blue chips Petrobras e Vale eram responsáveis por boa parte do giro negociado na Bolsa, ao passo que as commodities negociadas no exterior sofriam para firmar uma direção única. Às 13h40, as ações ON e PN da estatal petrolífera tinham alta de 0,83% e 0,73%, respectivamente, enquanto os papéis ON e PNA da mineradora avançavam 0,93%, cada.
Mas eram as siderúrgicas que apareciam entre os destaques de maiores altas do Ibovespa, neste horário. Usiminas ON ganhava 2,65%, seguida de perto por Gerdau Metalúrgica PN, com +2,55%, e por Gerdau PN, com +2,41%. Usiminas PNA vinha na sequência, com alta de 2,11%, enquanto CSN ON tinha leve baixa de 0,10%.
Hoje, a Anfavea informou que foram produzidos 321,8 mil veículos em outubro, o que representa uma alta de 5,5% em relação a setembro. No mês passado, as vendas de veículos no mercado brasileiro somaram 303,2 mil unidades, registrando baixa de 1,3%, na mesma base de comparação. Para especialistas, os dados sobre o setor automobilístico podem estar contribuído para estimular os ganhos das empresas ligadas à indústria do aço hoje.
Também na lista das companhias que exibiam ganhos robustos, antes das 14 horas, estavam as units do banco Santander (+1,22%), AmBev PN (+1,12%) e Pão de Açúcar PNB (+1,10%).
Porém, os papéis mais ligados ao mercado interno, como construtoras, redes varejistas e bancos, registravam queda, com os investidores embolsando parte dos ganhos recentes. Às 13h50, entre os destaques de maiores baixas do Ibovespa estavam GOL PN (-1,73%), PDG Realty ON (-1,88%), units da ALL (-1,57%) e MRV ON (-1,57%). Mas as perdas eram lideradas por TIM ON (-1,88%). Entre os papéis do setor financeiro, Itaú Unibanco PN caía
0,23% e Banco do Brasil ON cedia 1,41%, enquanto Bradesco PN tinha alta de 0,24%.
Entre as companhias que anunciaram balanço desde a noite de sexta-feira e aqueles que divulgam seus números trimestrais após o fechamento do pregão, às 14 horas, LLX ON caía 1,80%, EcoRodovias ON cedia 0,93% e Souza Cruz ON subia 0,48%. A companhia de logística do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, publica no fim do dia seu balanço sobre o terceiro trimestre, enquanto a fabricante de cigarros reagia em alta à queda de 10% no
lucro líquido acumulado nos nove primeiros meses deste ano, para R$ 1,108 bilhão. Já a empresa de concessões rodoviárias teve um aumento de 191% no lucro do trimestre passado, para R$ 70,811 milhões.
esvaziada do dia incita uma ligeira realização de lucros, mas os investidores se revestem de cautela e ficam na defensiva, à espera dos fatos programados até o fim da semana.
Às 14 horas, o Ibovespa operava com modesta variação positiva de 0,03%, aos 72.625 pontos, depois de ter oscilando entre uma pontuação máxima aos 72.705 pontos (+0,14%) e uma mínima aos 72.336 pontos (-0,37%). O volume financeiro negociado no momento totalizava quase R$ 2 bilhões, com projeção de giro ao redor de R$ 5,5 bilhões até o fim da jornada. No mesmo horário, em Nova York, o índice Dow Jones recuava 0,57% e o S&P 500
tinha baixa de 0,49% - lembrando que a partir de hoje, o pregão em Wall Street passa a funcionar das 12h30 às 19 horas (de Brasília).
Segundo analistas, os investidores se deparam com uma semana que tende a ser mais morna, após os eventos que marcaram a "Super Semana" e, com isso, a tendência é que os negócios caminhem em uma marcha mais lenta, à espera de novidades no front econômico.
"A semana deve ser de cautela e muita volatilidade nos negócios, com chances de os índices acionários devolverem parte da esticada recente, que os colocou de volta aos níveis de 2008", comenta o chefe da mesa de renda variável de uma corretora paulista, lembrando que são poucos os indicadores sobre a economia dos EUA que estão programados para o
período. Para os especialistas, os holofotes estão voltados para o encontro de cúpula do G-20, na Coreia do Sul, que começa na quinta-feira. E, até lá, poucos eventos devem agitar os negócios. A exceção fica com a China, que publica números de primeira grandeza sobre sua economia a partir de quarta-feira.
Enquanto esperam os números chineses e as discussões entre os líderes dos países que representam as 20 maiores economias do mundo, as empresas brasileiras exportadoras de matérias-primas recuperam fôlego hoje, depois de terem sido as responsáveis pelo descolamento, para baixo, do desempenho da Bolsa em relação ao sinal observado em Nova York na última sexta-feira.
As blue chips Petrobras e Vale eram responsáveis por boa parte do giro negociado na Bolsa, ao passo que as commodities negociadas no exterior sofriam para firmar uma direção única. Às 13h40, as ações ON e PN da estatal petrolífera tinham alta de 0,83% e 0,73%, respectivamente, enquanto os papéis ON e PNA da mineradora avançavam 0,93%, cada.
Mas eram as siderúrgicas que apareciam entre os destaques de maiores altas do Ibovespa, neste horário. Usiminas ON ganhava 2,65%, seguida de perto por Gerdau Metalúrgica PN, com +2,55%, e por Gerdau PN, com +2,41%. Usiminas PNA vinha na sequência, com alta de 2,11%, enquanto CSN ON tinha leve baixa de 0,10%.
Hoje, a Anfavea informou que foram produzidos 321,8 mil veículos em outubro, o que representa uma alta de 5,5% em relação a setembro. No mês passado, as vendas de veículos no mercado brasileiro somaram 303,2 mil unidades, registrando baixa de 1,3%, na mesma base de comparação. Para especialistas, os dados sobre o setor automobilístico podem estar contribuído para estimular os ganhos das empresas ligadas à indústria do aço hoje.
Também na lista das companhias que exibiam ganhos robustos, antes das 14 horas, estavam as units do banco Santander (+1,22%), AmBev PN (+1,12%) e Pão de Açúcar PNB (+1,10%).
Porém, os papéis mais ligados ao mercado interno, como construtoras, redes varejistas e bancos, registravam queda, com os investidores embolsando parte dos ganhos recentes. Às 13h50, entre os destaques de maiores baixas do Ibovespa estavam GOL PN (-1,73%), PDG Realty ON (-1,88%), units da ALL (-1,57%) e MRV ON (-1,57%). Mas as perdas eram lideradas por TIM ON (-1,88%). Entre os papéis do setor financeiro, Itaú Unibanco PN caía
0,23% e Banco do Brasil ON cedia 1,41%, enquanto Bradesco PN tinha alta de 0,24%.
Entre as companhias que anunciaram balanço desde a noite de sexta-feira e aqueles que divulgam seus números trimestrais após o fechamento do pregão, às 14 horas, LLX ON caía 1,80%, EcoRodovias ON cedia 0,93% e Souza Cruz ON subia 0,48%. A companhia de logística do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, publica no fim do dia seu balanço sobre o terceiro trimestre, enquanto a fabricante de cigarros reagia em alta à queda de 10% no
lucro líquido acumulado nos nove primeiros meses deste ano, para R$ 1,108 bilhão. Já a empresa de concessões rodoviárias teve um aumento de 191% no lucro do trimestre passado, para R$ 70,811 milhões.
CÂMBIO
Depois de passarem a semana passada comemorando a decisão do Federal Reserve, de injetar US$ 600 bilhões na economia, que coincidiu com alguns indicadores positivos nos EUA, os mercados internacionais mostraram cansaço na manhã desta segunda-feira. Desde cedo, a queda é generalizada nas bolsas, commodities e moedas de maior risco, com os investidores optando por retomar uma dose de cautela em relação às dívidas soberanas de
países europeus. Também colaboram para a realização ampla de hoje as contínuas discussões em torno da questão cambial, que terá seu ápice no encontro do G-20 no final desta semana. Esse é o cenário que está por trás da alta de 1,19% que o dólar à vista mostrava em relação ao real no início da tarde, valendo R$ 1,699. E da valorização de 1,10% computada pelo contrato futuro de dezembro, que às 13h50 estava a R$ 1,7075.
"O dia é marcado pelo comportamento internacional. Não há nada internamente que esteja definindo o preço do dólar", resumiu um especialista consultado pela Agência Estado. Se há
algo a destacar é o fato de a alta do dólar ante o real ser mais intensa do que a que está sendo computada pela maioria das demais moedas emergentes. No início da tarde, no exterior, o ganho da moeda norte-americana variava entre 0,50% e 1%.
O fator que explica essa diferença, segundo os especialistas, ainda é a certeza de que o governo pode lançar mão de novas medidas cambiais a qualquer momento, se achar necessário. "O mercado sabe que se o dólar cair mais, o governo deve fazer mais coisas para segurar. Está certo que na semana passada o dólar recuou bem e nada foi feito, mas ninguém duvida de que há outras alternativas já preparadas", disse o operador da Interbolsa
Brasil, Ovídio Pinho Soares.
A queda acumulada pelo dólar na semana passada, no mercado doméstico, foi de 1,35%. Isso significa que, com a alta de hoje, a moeda norte-americana praticamente recupera o valor. No último dia 29, o dólar fechou o pregão a R$ 1,702 e, hoje, o dólar já atingiu R$ 1,701, na máxima.
Apesar de sustentar a percepção de que o governo pode agir para segurar o câmbio a qualquer momento, a maioria dos analistas acredita que nada mudará antes da reunião do G-20, marcada para o final desta semana. As expectativas para o encontro entre os maiores do mundo são de que haja pelo menos sinais de que um acordo para a guerra cambial está
sendo buscado. Os especialistas domésticos avaliam que as conclusões da reunião não mudarão radicalmente os rumos dos fluxos de recursos, mas esperam avanços no sentido de um entendimento, o que já poderia ajudar a diminuir as pressões sobre o dólar.
Mas há os mais céticos. "A reunião vai ser inócua. Só os Estados Unidos apresentaram algo até o momento e a China já se posicionou em contrário", disse Soares. Ele refere-se à sugestão não muito clara de controle dos déficits das maiores economias feita pelos EUA, cuja intenção seria de equilibrar as balanças comerciais de modo a que os países com déficit exportem mais e nações com superávit estimulem o crescimento doméstico e passem a vender menos. A China já está desdenhando exp licitamente essa proposta.
Às 14h16, a clearing da BM&F mostrava volume negociado de US$ 1,4 bilhão. Vale registrar que, segundo dados colhidos pelo mercado, com base nos números de posições em aberto da BM&F, os investidores estrangeiros diminuíram a posição vendida (líquido) em derivativos cambiais, na sexta-feira, em US$ 759 milhões, ou 15.200 contratos (DDI e dólar futuro). No
total, os estrangeiros fecharam o pregão de sexta-feira vendidos em 308.764 contratos, ou US$ 15,438 bilhões.
países europeus. Também colaboram para a realização ampla de hoje as contínuas discussões em torno da questão cambial, que terá seu ápice no encontro do G-20 no final desta semana. Esse é o cenário que está por trás da alta de 1,19% que o dólar à vista mostrava em relação ao real no início da tarde, valendo R$ 1,699. E da valorização de 1,10% computada pelo contrato futuro de dezembro, que às 13h50 estava a R$ 1,7075.
"O dia é marcado pelo comportamento internacional. Não há nada internamente que esteja definindo o preço do dólar", resumiu um especialista consultado pela Agência Estado. Se há
algo a destacar é o fato de a alta do dólar ante o real ser mais intensa do que a que está sendo computada pela maioria das demais moedas emergentes. No início da tarde, no exterior, o ganho da moeda norte-americana variava entre 0,50% e 1%.
O fator que explica essa diferença, segundo os especialistas, ainda é a certeza de que o governo pode lançar mão de novas medidas cambiais a qualquer momento, se achar necessário. "O mercado sabe que se o dólar cair mais, o governo deve fazer mais coisas para segurar. Está certo que na semana passada o dólar recuou bem e nada foi feito, mas ninguém duvida de que há outras alternativas já preparadas", disse o operador da Interbolsa
Brasil, Ovídio Pinho Soares.
A queda acumulada pelo dólar na semana passada, no mercado doméstico, foi de 1,35%. Isso significa que, com a alta de hoje, a moeda norte-americana praticamente recupera o valor. No último dia 29, o dólar fechou o pregão a R$ 1,702 e, hoje, o dólar já atingiu R$ 1,701, na máxima.
Apesar de sustentar a percepção de que o governo pode agir para segurar o câmbio a qualquer momento, a maioria dos analistas acredita que nada mudará antes da reunião do G-20, marcada para o final desta semana. As expectativas para o encontro entre os maiores do mundo são de que haja pelo menos sinais de que um acordo para a guerra cambial está
sendo buscado. Os especialistas domésticos avaliam que as conclusões da reunião não mudarão radicalmente os rumos dos fluxos de recursos, mas esperam avanços no sentido de um entendimento, o que já poderia ajudar a diminuir as pressões sobre o dólar.
Mas há os mais céticos. "A reunião vai ser inócua. Só os Estados Unidos apresentaram algo até o momento e a China já se posicionou em contrário", disse Soares. Ele refere-se à sugestão não muito clara de controle dos déficits das maiores economias feita pelos EUA, cuja intenção seria de equilibrar as balanças comerciais de modo a que os países com déficit exportem mais e nações com superávit estimulem o crescimento doméstico e passem a vender menos. A China já está desdenhando exp licitamente essa proposta.
Às 14h16, a clearing da BM&F mostrava volume negociado de US$ 1,4 bilhão. Vale registrar que, segundo dados colhidos pelo mercado, com base nos números de posições em aberto da BM&F, os investidores estrangeiros diminuíram a posição vendida (líquido) em derivativos cambiais, na sexta-feira, em US$ 759 milhões, ou 15.200 contratos (DDI e dólar futuro). No
total, os estrangeiros fecharam o pregão de sexta-feira vendidos em 308.764 contratos, ou US$ 15,438 bilhões.
BLACKROCK
- Flexibilização / FED beneficia commodities
- Tentativa de controle da moeda nao é duradoura
- Seria injusto IOF maior p/ bolsa, depois da Petrobras
- Resultados corporativos devem avancar entre 20% e 25% em 2011
- É factivel IBOV em 90 mil ptos no segundo semestre 2011
- Bolsa / Brasil é das mais baratas entre as mais liquidas
- Tentativa de controle da moeda nao é duradoura
- Seria injusto IOF maior p/ bolsa, depois da Petrobras
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- Bolsa / Brasil é das mais baratas entre as mais liquidas
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
JUROS
Um pacote de preocupações continua municiando forte pressão de alta para os juros futuros domésticos nesta sexta-feira. A apreensão sobre as implicações inflacionárias para os países emergentes do afrouxamento quantitativo nos EUA, um país que abriu um dado inesperadamente robusto do mercado de trabalho hoje; o temor de reinserção de novos custos tributários para se operar no Brasil e os sinais de que a retidão fiscal pode ser cumprida sem racionalização de gastos no primeiro ano de Dilma Rousseff amplificaram as vendas de contratos futuros. Dentro dos recentes desdobramentos, o BC diminuiu o volume da operação compromissada, o que sugeria que a autoridade monetária poderia estar começando a assumir uma estratégia para deixar o mercado um pouco mais líquido para que esses recursos fossem enxugados pelos títulos públicos leiloados semanalmente pelo Tesouro Nacional.
Às 13h50, a taxa do DI janeiro de 2013 esticava para 11,84%, de um ajuste a 11,72%, com um robusto volume de 239.555 contratos negociados até então. O giro em meia sessão já se equiparava ao volume de cerca de 279 mil negócios de todo o pregão anterior na BM&FBovespa. O DI janeiro de 2012 marcava 11,47%, de 11,40%, com volume de 218.650 contratos. O DI janeiro de 2017 subia para 11,69%, de 11,63%, com giro de 20.015 contratos. O DI janeiro de 2021 indicava 11,74%, de 11,65%, com giro de 5.325 contratos.
"O final de toda essa história é a apreensão com um surto inflacionário no País", observou o chefe de pesquisa sobre emergentes da Nomura Securities, Tony Volpon, em entrevista por telefone de Nova York. Os estrangeiros estão zerando posições dadas no Brasil, em resposta ainda ao impacto das alíquotas vigentes do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que aumentou o custo de carregamento de posições no mercado brasileiro. Volpon
listou outras razões por trás do movimento de alta forte das taxas, como a apreensão sobre as implicações inflacionárias do afrouxamento quantitativo anunciado quarta-feira pelo Federal Reserve, a preocupação sobre a alta recente dos preços das commodities agrícolas, a demanda maior de bancos por bônus com rendimento ligado à inflação, além dos temores ligados à gestão fiscal que será conduzida por Dilma Rousseff e à ampliação da carga
tributária, como por meio da volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Para completar, o estrategista listou ainda que estrangeiros estão saindo de Brasil, em busca de papéis de renda fixa do Méx co. O país tende a se beneficiar da melhora da economia norte-americana e suas autoridades não se mostram tensas em relação ao fluxo de ingresso de recursos, já que o peso mexicano mostra-se com uma valorização "atrasada" em relação a outras moedas da região. "Com o IOF, caiu o spread onshore/offshore implied
yield e o Brasil ficou menos atrativo para carregamento.", afirmou. "No caso do México, a moeda mexicana é conversível e o BC mexicano não tem dado nenhuma sinalização de tributação", completou.
E os EUA revelaram um dado surpreendentemente positivo apenas dois dias após o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve abrir a torneira prometendo recomprar mais US$ 600 bilhões em títulos ao longo dos próximos oito meses. Foram criados 151 mil postos de trabalho em outubro nos EUA, muito acima da alta de 60 mil prevista por economistas. Na sequência do dado, o dólar subiu e provocou uma reviravolta para os preços dolarizados das commodities agrícolas. O açúcar, que chegou a renovar a máxima em 30 anos mais cedo, cedia 0,51% (contrato para maio) no início da tarde. Futuros mais líquidos do café, milho, trigo, algodão e cacau também recuavam, como informa o AE Agronegócios. Após a dívida bruta do governo geral voltar a subir em setembro, com o maior volume de operações compromissadas realizadas pelo Banco Central aparecendo como fator
determinante no aumento desse endividamento, o BC diminuiu o volume das operações compromissadas. O BC ofertou hoje R$ 5 bilhões em títulos públicos na operação compromissada semanal. Nas últimas semanas, as operações somavam R$ 7 bilhões. "Possivelmente, o governo está vendo que as compromissadas estão muito grandes e pode ser uma sinalização de que pode optar por transferir os volumes dessas operações para os leilões de títulos públicos semanais", disse uma fonte.
Em setembro, o volume de operações compromissadas cresceu R$ 15,604 bilhões em setembro na comparação com agosto e atingiu R$ 406,394 bilhões. Com esse aumento, a fatia das compromissadas na dívida bruta subiu de 11,4 pontos porcentuais em agosto para 11,8 pontos em setembro. As operações compromissadas são realizadas pelo BC junto aos bancos para controlar o volume de dinheiro em circulação no mercado. Com a diminuição do
volume de compromissadas, a secagem da liquidez poderá ser transferida para os leilões semanais de títulos do Tesouro Nacional.
"Com menos compromissada, o BC pode deixar o mercado meio líquido para direcionar esses recursos para o leilão do Tesouro, que viu qu eda da demanda de estrangeiros por títulos após a elevação do IOF", comentou Volpon. E segundo esse analista, as movimentações recentes do governo mostram que devem vir mais leilões de títulos. "Estão estragando o que o Tesouro conquistou: alongamento o prazo da dívida e melhor distribuição", completou, prevendo que a oferta de papéis longos deve continuar restrita.
Além dos R$ 5 bilhões retirados do sistema financeiro com a operação compromissada à taxa de 10,91%, com corte de 26%, o BC secou R$ 60,444 bilhões no over, à taxa de 10,68%, com corte de 35%.
Às 13h50, a taxa do DI janeiro de 2013 esticava para 11,84%, de um ajuste a 11,72%, com um robusto volume de 239.555 contratos negociados até então. O giro em meia sessão já se equiparava ao volume de cerca de 279 mil negócios de todo o pregão anterior na BM&FBovespa. O DI janeiro de 2012 marcava 11,47%, de 11,40%, com volume de 218.650 contratos. O DI janeiro de 2017 subia para 11,69%, de 11,63%, com giro de 20.015 contratos. O DI janeiro de 2021 indicava 11,74%, de 11,65%, com giro de 5.325 contratos.
"O final de toda essa história é a apreensão com um surto inflacionário no País", observou o chefe de pesquisa sobre emergentes da Nomura Securities, Tony Volpon, em entrevista por telefone de Nova York. Os estrangeiros estão zerando posições dadas no Brasil, em resposta ainda ao impacto das alíquotas vigentes do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que aumentou o custo de carregamento de posições no mercado brasileiro. Volpon
listou outras razões por trás do movimento de alta forte das taxas, como a apreensão sobre as implicações inflacionárias do afrouxamento quantitativo anunciado quarta-feira pelo Federal Reserve, a preocupação sobre a alta recente dos preços das commodities agrícolas, a demanda maior de bancos por bônus com rendimento ligado à inflação, além dos temores ligados à gestão fiscal que será conduzida por Dilma Rousseff e à ampliação da carga
tributária, como por meio da volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Para completar, o estrategista listou ainda que estrangeiros estão saindo de Brasil, em busca de papéis de renda fixa do Méx co. O país tende a se beneficiar da melhora da economia norte-americana e suas autoridades não se mostram tensas em relação ao fluxo de ingresso de recursos, já que o peso mexicano mostra-se com uma valorização "atrasada" em relação a outras moedas da região. "Com o IOF, caiu o spread onshore/offshore implied
yield e o Brasil ficou menos atrativo para carregamento.", afirmou. "No caso do México, a moeda mexicana é conversível e o BC mexicano não tem dado nenhuma sinalização de tributação", completou.
E os EUA revelaram um dado surpreendentemente positivo apenas dois dias após o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve abrir a torneira prometendo recomprar mais US$ 600 bilhões em títulos ao longo dos próximos oito meses. Foram criados 151 mil postos de trabalho em outubro nos EUA, muito acima da alta de 60 mil prevista por economistas. Na sequência do dado, o dólar subiu e provocou uma reviravolta para os preços dolarizados das commodities agrícolas. O açúcar, que chegou a renovar a máxima em 30 anos mais cedo, cedia 0,51% (contrato para maio) no início da tarde. Futuros mais líquidos do café, milho, trigo, algodão e cacau também recuavam, como informa o AE Agronegócios. Após a dívida bruta do governo geral voltar a subir em setembro, com o maior volume de operações compromissadas realizadas pelo Banco Central aparecendo como fator
determinante no aumento desse endividamento, o BC diminuiu o volume das operações compromissadas. O BC ofertou hoje R$ 5 bilhões em títulos públicos na operação compromissada semanal. Nas últimas semanas, as operações somavam R$ 7 bilhões. "Possivelmente, o governo está vendo que as compromissadas estão muito grandes e pode ser uma sinalização de que pode optar por transferir os volumes dessas operações para os leilões de títulos públicos semanais", disse uma fonte.
Em setembro, o volume de operações compromissadas cresceu R$ 15,604 bilhões em setembro na comparação com agosto e atingiu R$ 406,394 bilhões. Com esse aumento, a fatia das compromissadas na dívida bruta subiu de 11,4 pontos porcentuais em agosto para 11,8 pontos em setembro. As operações compromissadas são realizadas pelo BC junto aos bancos para controlar o volume de dinheiro em circulação no mercado. Com a diminuição do
volume de compromissadas, a secagem da liquidez poderá ser transferida para os leilões semanais de títulos do Tesouro Nacional.
"Com menos compromissada, o BC pode deixar o mercado meio líquido para direcionar esses recursos para o leilão do Tesouro, que viu qu eda da demanda de estrangeiros por títulos após a elevação do IOF", comentou Volpon. E segundo esse analista, as movimentações recentes do governo mostram que devem vir mais leilões de títulos. "Estão estragando o que o Tesouro conquistou: alongamento o prazo da dívida e melhor distribuição", completou, prevendo que a oferta de papéis longos deve continuar restrita.
Além dos R$ 5 bilhões retirados do sistema financeiro com a operação compromissada à taxa de 10,91%, com corte de 26%, o BC secou R$ 60,444 bilhões no over, à taxa de 10,68%, com corte de 35%.
CÂMBIO
O payroll foi o assunto da manhã desta sexta-feira, no mercado doméstico de câmbio. Mas depois de provocar idas e vindas nas cotações do dólar, acompanhando o vaivém que também ocorreu lá fora, a notícia de que a criação de vagas de trabalho nos EUA em outubro ficou muito acima do previsto não conseguiu definir uma trajetória para a moeda norte-americana ante o real, que voltou ao ponto em que estava desde a abertura. Ou seja,
mostrando pequena alta em relação ao fechamento de ontem, no final da manhã.
Pouco depois das 13 horas, a moeda norte-americana valia R$ 1,680, com valorização de 0,24% no balcão e R$ 1,6818, com alta de 0,27% no pronto da BM&F. Às 13h50, o dólar para dezembro mostrava mais vigor, com alta de 0,60% a R$ 1,690. Ainda assim não acompanhava o ritmo visto lá fora. No mesmo momento, o euro era cotado a US$ 1,4032, ante US$ 1,4215 registrado no final da tarde de ontem, em Nova York. Mas também na moeda europeia a volatilidade é grande. A mínima de hoje até esse horário era de US$
1,4026 e a máxima de US$ 1,4232.
"Os dados do payroll tiveram o mesmo impacto que foi visto nos primeiros momentos que se seguiram ao anúncio do Fed, de que vai injetar US$ 600 bilhões novos na economia: o dólar oscilou para baixo e para cima com diferentes leitura sobre os efeitos do dado que, na verdade, não permitiu que os analistas e investidores concluíssem nada de diferente", disse
um especialista.
Assim, o mercado internacional continua na expectativa do encontro do G-20, de olho nos movimentos dos diferentes bancos centrais ao redor do mundo e dos indicadores econômicos dos países desenvolvidos. Por aqui, soma-se a isso a perspectiva de que o governo pode e deve, a qualquer momento, apresentar outra medida para tentar coibir a valorização do real.
Afinal, isso foi o que prometeram diversos dos membros da equipe econômica, inclusive o ministro da Fazenda Guido Mantega, caso considerassem que o IOF não foi suficiente para controlar os movimentos indesejáveis do câmbio. E o mercado começa a questionar o efeito
da medida daqui para a frente. Com a queda forte de ontem (1,35%) o dólar voltou aos mesmos níveis em que estava no início de outubro, antes do aumento do IOF para aplicações de estrangeiros em renda fixa e para as margens exigidas nos negócios com derivativos, e a avaliação é de que as cotações poderiam estar mais baixas, já que o fluxo cambial de outubro foi o segundo maior do ano, com a marca nada desprezível de US$ 6,9 bilhões. Ou seja, o tributo teria tido um impacto. Porém, é quase consensual também a percepção de que diante da medida do Fed, o poder das novas alíquotas diminuiu.
Um sinal seria a retomada forte das posições vendidas dos estrangeiros no mercado de derivativos. Depois de ter recuado a cerca de US$ 10 bilhões no final de outubro (DDI e dólar futuro), a posição vendida desses participantes do mercado encerrou o pregão de ontem em US$ 16,197 bilhões.
A discussão dos players, agora, refere-se ao timing para novas intervenções e às diferentes possibilidades de ação do governo brasileiro. Boa parte dos operadores de mercado acredita que a próxima arma deve ser a retomada dos leilões de swap cambial reverso. Mas ninguém descarta coisas como IOF ainda mais elevado (6% no momento) na renda fixa, a extensão
do tributo para aplicações em ações, retomada da cobrança de imposto de renda a investidores estrangeiros e até, quarentena. Esta última cogitada mais pelo setor produtivo, a quem a queda do dólar aflige mais.
Hoje, em evento realizado em São Paulo, o presidente da Siemens, Adilson Primo, defendeu o controle de capitais para recursos "especulativos". Aqueles que, segundo ele, só buscam a arbitragem de juros. Já o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, presente ao mesmo evento, discordou. Ele defendeu que primeiro o governo adote medidas menos agressivas.
"Depois, se não houver outro jeito, adotar medidas mais fortes", disse. "O que nós não podemos é nos conformar com uma trajetória que transforma o Brasil em vítima da apreciação cambial", completou Coutinho.
Vale lembrar que o presidente Lula disse que irá ao G-20 para brigar. E ele vai acompanhado do ministro Mantega e da presidente eleita Dilma Rousseff.
Não deixa de ser interessante também notar que, apesar de serem avessos a intervenções no câmbio por princípio, os profissionais do mercado financeiro doméstico estão simpáticos a medidas no sentido de controlar o câmbio, visto que o ambiente global convida a elas. Já a alta do IOF, em outubro, foi recebida por investidores e analistas com uma complacência que não é habitual nesses casos.
mostrando pequena alta em relação ao fechamento de ontem, no final da manhã.
Pouco depois das 13 horas, a moeda norte-americana valia R$ 1,680, com valorização de 0,24% no balcão e R$ 1,6818, com alta de 0,27% no pronto da BM&F. Às 13h50, o dólar para dezembro mostrava mais vigor, com alta de 0,60% a R$ 1,690. Ainda assim não acompanhava o ritmo visto lá fora. No mesmo momento, o euro era cotado a US$ 1,4032, ante US$ 1,4215 registrado no final da tarde de ontem, em Nova York. Mas também na moeda europeia a volatilidade é grande. A mínima de hoje até esse horário era de US$
1,4026 e a máxima de US$ 1,4232.
"Os dados do payroll tiveram o mesmo impacto que foi visto nos primeiros momentos que se seguiram ao anúncio do Fed, de que vai injetar US$ 600 bilhões novos na economia: o dólar oscilou para baixo e para cima com diferentes leitura sobre os efeitos do dado que, na verdade, não permitiu que os analistas e investidores concluíssem nada de diferente", disse
um especialista.
Assim, o mercado internacional continua na expectativa do encontro do G-20, de olho nos movimentos dos diferentes bancos centrais ao redor do mundo e dos indicadores econômicos dos países desenvolvidos. Por aqui, soma-se a isso a perspectiva de que o governo pode e deve, a qualquer momento, apresentar outra medida para tentar coibir a valorização do real.
Afinal, isso foi o que prometeram diversos dos membros da equipe econômica, inclusive o ministro da Fazenda Guido Mantega, caso considerassem que o IOF não foi suficiente para controlar os movimentos indesejáveis do câmbio. E o mercado começa a questionar o efeito
da medida daqui para a frente. Com a queda forte de ontem (1,35%) o dólar voltou aos mesmos níveis em que estava no início de outubro, antes do aumento do IOF para aplicações de estrangeiros em renda fixa e para as margens exigidas nos negócios com derivativos, e a avaliação é de que as cotações poderiam estar mais baixas, já que o fluxo cambial de outubro foi o segundo maior do ano, com a marca nada desprezível de US$ 6,9 bilhões. Ou seja, o tributo teria tido um impacto. Porém, é quase consensual também a percepção de que diante da medida do Fed, o poder das novas alíquotas diminuiu.
Um sinal seria a retomada forte das posições vendidas dos estrangeiros no mercado de derivativos. Depois de ter recuado a cerca de US$ 10 bilhões no final de outubro (DDI e dólar futuro), a posição vendida desses participantes do mercado encerrou o pregão de ontem em US$ 16,197 bilhões.
A discussão dos players, agora, refere-se ao timing para novas intervenções e às diferentes possibilidades de ação do governo brasileiro. Boa parte dos operadores de mercado acredita que a próxima arma deve ser a retomada dos leilões de swap cambial reverso. Mas ninguém descarta coisas como IOF ainda mais elevado (6% no momento) na renda fixa, a extensão
do tributo para aplicações em ações, retomada da cobrança de imposto de renda a investidores estrangeiros e até, quarentena. Esta última cogitada mais pelo setor produtivo, a quem a queda do dólar aflige mais.
Hoje, em evento realizado em São Paulo, o presidente da Siemens, Adilson Primo, defendeu o controle de capitais para recursos "especulativos". Aqueles que, segundo ele, só buscam a arbitragem de juros. Já o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, presente ao mesmo evento, discordou. Ele defendeu que primeiro o governo adote medidas menos agressivas.
"Depois, se não houver outro jeito, adotar medidas mais fortes", disse. "O que nós não podemos é nos conformar com uma trajetória que transforma o Brasil em vítima da apreciação cambial", completou Coutinho.
Vale lembrar que o presidente Lula disse que irá ao G-20 para brigar. E ele vai acompanhado do ministro Mantega e da presidente eleita Dilma Rousseff.
Não deixa de ser interessante também notar que, apesar de serem avessos a intervenções no câmbio por princípio, os profissionais do mercado financeiro doméstico estão simpáticos a medidas no sentido de controlar o câmbio, visto que o ambiente global convida a elas. Já a alta do IOF, em outubro, foi recebida por investidores e analistas com uma complacência que não é habitual nesses casos.
MERCADOS INTERNACIONAIS
O governo norte-americano anunciou hoje que o mercado de trabalho criou emprego pela primeira vez em cinco meses e em número muito maior do que os economistas esperavam.
Em outubro, a economia gerou 151 mil vagas de trabalho, um volume maior do que os 60 mil esperados, e em setembro, o corte no emprego foi menor do que o informado ontem. Os números seguiram-se a outros indicadores divulgados esta semana apontando recuperação nos EUA, como os índices de atividade industrial e de serviços e de encomendas à indústria.
Em meio as pesadas críticas internacionais à política do Fed de oferta de liquidez para estimular a economia, os números elevam a expectativa para o encontro do G-20 na semana que vem (11 e 12), na Coreia do Sul, onde estarão reunidos líderes dos países que desde a quarta-feira expressam forte descontentamento com a decisão do Fed de injetar mais dinheiro no sistema para animar a economia dos EUA.
Os Estados Unidos "nos devem uma explicação", disse o vice-ministro de Relações Externas da China e principal negociador do país no G-20, Cui Tiankai, sobre a adoção nesta semana do novo programa de liquidez pelo Fed. Já o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse que os EUA não podem resolver seus problemas promovendo déficits e
que irão "criar problemas adicionais para o mundo".
Nos mercados financeiros, onde o programa de US$ 600 bilhões em compra de títulos foi exaustivamente embutido nos preços e já produziu expressivos ganhos, o payroll deu tranquilidade e espaço para ajustes, pontuados por volatilidade. Os investidores, de modo geral, preferiram avaliar que o número não pode ser tomado como um sinal de fim dos problemas nos Estados Unidos e no mercado de trabalho.
"Diante do terreno que perdemos desde o pico da criação de emprego dois anos atrás é um começo, mas ainda temos um longo caminho a percorrer", disse o diretor gerente da Fort Pitt Capital Group, Douglas Kreps. "Um número isolado (payroll) não faz tendência, mas é um começo", disse o diretor executivo da mesa de bônus do Tesouro dos EUA do Mitsubishi
UFJ Securities, Thomas Roth.
Às 14h01 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,26% e o S&P 500 cedia 0,02%; o Nasdaq recuava 0,29%. Ontem, o Dow Jones subiu 2% e fechou na sua maior pontuação desde setembro de 2008. Na semana, o Dow e o Nasdaq acumulam alta de mais de 2%; o S&P 500, de mais de 3%. A queda superior a 8% da Kraft Foods, que anunciou queda em seu lucro do terceiro trimestre, também contribuía para pesar nos índices.
O dólar beneficiou-se do payroll, embora de modo volátil e diante da advertência de alguns operadores que duvidam da durabilidade do efeito do número sobre a moeda. "É um número bom, mas fará diferença" (para o dólar) com investidores tendo em mente as medidas de estímulo do Fed inundando o mercado com dólares durante oito meses?, questionou o chefe de estratégia de câmbio estrangeiro do ING em Londres, Chris Turner.
Às 14h23 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,4034, de US$ 1,4215 ontem; o dólar subia para 81,41 ienes, de 80,70 ienes ontem.
Os Treasuries reagiram em queda (juro em alta) ao payroll, com investidores sentindo menor necessidade de se proteger dos riscos à economia. Mas a avaliação nesse mercado também era a de que trata-se de um único número. Os preços foram pressionados ainda pela expectativa com o leilão de US$ 72 bilhões em novos papéis do Tesouro na semana
que vem. Às 14h24 (de Brasília), o juro do note de dois anos subia para 0,35515% e o juro do note de 10 anos avançava para 2,54440%.
Às 14h26 (de Brasília), o cobre para dezembro avançava 1,14% para US$ 3,9565 por libra peso, avançando com o sinal de melhora no mercado de trabalho nos EUA. O petróleo WTI realizava lucro, depois de atingir sua maior cotação em dois anos a US$ 87,22 o barril no começo do dia. No mesmo horário, valia US$ 86,26 o barril, queda de 0,27%.
Em outubro, a economia gerou 151 mil vagas de trabalho, um volume maior do que os 60 mil esperados, e em setembro, o corte no emprego foi menor do que o informado ontem. Os números seguiram-se a outros indicadores divulgados esta semana apontando recuperação nos EUA, como os índices de atividade industrial e de serviços e de encomendas à indústria.
Em meio as pesadas críticas internacionais à política do Fed de oferta de liquidez para estimular a economia, os números elevam a expectativa para o encontro do G-20 na semana que vem (11 e 12), na Coreia do Sul, onde estarão reunidos líderes dos países que desde a quarta-feira expressam forte descontentamento com a decisão do Fed de injetar mais dinheiro no sistema para animar a economia dos EUA.
Os Estados Unidos "nos devem uma explicação", disse o vice-ministro de Relações Externas da China e principal negociador do país no G-20, Cui Tiankai, sobre a adoção nesta semana do novo programa de liquidez pelo Fed. Já o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse que os EUA não podem resolver seus problemas promovendo déficits e
que irão "criar problemas adicionais para o mundo".
Nos mercados financeiros, onde o programa de US$ 600 bilhões em compra de títulos foi exaustivamente embutido nos preços e já produziu expressivos ganhos, o payroll deu tranquilidade e espaço para ajustes, pontuados por volatilidade. Os investidores, de modo geral, preferiram avaliar que o número não pode ser tomado como um sinal de fim dos problemas nos Estados Unidos e no mercado de trabalho.
"Diante do terreno que perdemos desde o pico da criação de emprego dois anos atrás é um começo, mas ainda temos um longo caminho a percorrer", disse o diretor gerente da Fort Pitt Capital Group, Douglas Kreps. "Um número isolado (payroll) não faz tendência, mas é um começo", disse o diretor executivo da mesa de bônus do Tesouro dos EUA do Mitsubishi
UFJ Securities, Thomas Roth.
Às 14h01 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,26% e o S&P 500 cedia 0,02%; o Nasdaq recuava 0,29%. Ontem, o Dow Jones subiu 2% e fechou na sua maior pontuação desde setembro de 2008. Na semana, o Dow e o Nasdaq acumulam alta de mais de 2%; o S&P 500, de mais de 3%. A queda superior a 8% da Kraft Foods, que anunciou queda em seu lucro do terceiro trimestre, também contribuía para pesar nos índices.
O dólar beneficiou-se do payroll, embora de modo volátil e diante da advertência de alguns operadores que duvidam da durabilidade do efeito do número sobre a moeda. "É um número bom, mas fará diferença" (para o dólar) com investidores tendo em mente as medidas de estímulo do Fed inundando o mercado com dólares durante oito meses?, questionou o chefe de estratégia de câmbio estrangeiro do ING em Londres, Chris Turner.
Às 14h23 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,4034, de US$ 1,4215 ontem; o dólar subia para 81,41 ienes, de 80,70 ienes ontem.
Os Treasuries reagiram em queda (juro em alta) ao payroll, com investidores sentindo menor necessidade de se proteger dos riscos à economia. Mas a avaliação nesse mercado também era a de que trata-se de um único número. Os preços foram pressionados ainda pela expectativa com o leilão de US$ 72 bilhões em novos papéis do Tesouro na semana
que vem. Às 14h24 (de Brasília), o juro do note de dois anos subia para 0,35515% e o juro do note de 10 anos avançava para 2,54440%.
Às 14h26 (de Brasília), o cobre para dezembro avançava 1,14% para US$ 3,9565 por libra peso, avançando com o sinal de melhora no mercado de trabalho nos EUA. O petróleo WTI realizava lucro, depois de atingir sua maior cotação em dois anos a US$ 87,22 o barril no começo do dia. No mesmo horário, valia US$ 86,26 o barril, queda de 0,27%.
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