O governo norte-americano anunciou hoje que o mercado de trabalho criou emprego pela primeira vez em cinco meses e em número muito maior do que os economistas esperavam.
Em outubro, a economia gerou 151 mil vagas de trabalho, um volume maior do que os 60 mil esperados, e em setembro, o corte no emprego foi menor do que o informado ontem. Os números seguiram-se a outros indicadores divulgados esta semana apontando recuperação nos EUA, como os índices de atividade industrial e de serviços e de encomendas à indústria.
Em meio as pesadas críticas internacionais à política do Fed de oferta de liquidez para estimular a economia, os números elevam a expectativa para o encontro do G-20 na semana que vem (11 e 12), na Coreia do Sul, onde estarão reunidos líderes dos países que desde a quarta-feira expressam forte descontentamento com a decisão do Fed de injetar mais dinheiro no sistema para animar a economia dos EUA.
Os Estados Unidos "nos devem uma explicação", disse o vice-ministro de Relações Externas da China e principal negociador do país no G-20, Cui Tiankai, sobre a adoção nesta semana do novo programa de liquidez pelo Fed. Já o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse que os EUA não podem resolver seus problemas promovendo déficits e
que irão "criar problemas adicionais para o mundo".
Nos mercados financeiros, onde o programa de US$ 600 bilhões em compra de títulos foi exaustivamente embutido nos preços e já produziu expressivos ganhos, o payroll deu tranquilidade e espaço para ajustes, pontuados por volatilidade. Os investidores, de modo geral, preferiram avaliar que o número não pode ser tomado como um sinal de fim dos problemas nos Estados Unidos e no mercado de trabalho.
"Diante do terreno que perdemos desde o pico da criação de emprego dois anos atrás é um começo, mas ainda temos um longo caminho a percorrer", disse o diretor gerente da Fort Pitt Capital Group, Douglas Kreps. "Um número isolado (payroll) não faz tendência, mas é um começo", disse o diretor executivo da mesa de bônus do Tesouro dos EUA do Mitsubishi
UFJ Securities, Thomas Roth.
Às 14h01 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,26% e o S&P 500 cedia 0,02%; o Nasdaq recuava 0,29%. Ontem, o Dow Jones subiu 2% e fechou na sua maior pontuação desde setembro de 2008. Na semana, o Dow e o Nasdaq acumulam alta de mais de 2%; o S&P 500, de mais de 3%. A queda superior a 8% da Kraft Foods, que anunciou queda em seu lucro do terceiro trimestre, também contribuía para pesar nos índices.
O dólar beneficiou-se do payroll, embora de modo volátil e diante da advertência de alguns operadores que duvidam da durabilidade do efeito do número sobre a moeda. "É um número bom, mas fará diferença" (para o dólar) com investidores tendo em mente as medidas de estímulo do Fed inundando o mercado com dólares durante oito meses?, questionou o chefe de estratégia de câmbio estrangeiro do ING em Londres, Chris Turner.
Às 14h23 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,4034, de US$ 1,4215 ontem; o dólar subia para 81,41 ienes, de 80,70 ienes ontem.
Os Treasuries reagiram em queda (juro em alta) ao payroll, com investidores sentindo menor necessidade de se proteger dos riscos à economia. Mas a avaliação nesse mercado também era a de que trata-se de um único número. Os preços foram pressionados ainda pela expectativa com o leilão de US$ 72 bilhões em novos papéis do Tesouro na semana
que vem. Às 14h24 (de Brasília), o juro do note de dois anos subia para 0,35515% e o juro do note de 10 anos avançava para 2,54440%.
Às 14h26 (de Brasília), o cobre para dezembro avançava 1,14% para US$ 3,9565 por libra peso, avançando com o sinal de melhora no mercado de trabalho nos EUA. O petróleo WTI realizava lucro, depois de atingir sua maior cotação em dois anos a US$ 87,22 o barril no começo do dia. No mesmo horário, valia US$ 86,26 o barril, queda de 0,27%.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
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