sexta-feira, 5 de novembro de 2010

JUROS

Um pacote de preocupações continua municiando forte pressão de alta para os juros futuros domésticos nesta sexta-feira. A apreensão sobre as implicações inflacionárias para os países emergentes do afrouxamento quantitativo nos EUA, um país que abriu um dado inesperadamente robusto do mercado de trabalho hoje; o temor de reinserção de novos custos tributários para se operar no Brasil e os sinais de que a retidão fiscal pode ser cumprida sem racionalização de gastos no primeiro ano de Dilma Rousseff amplificaram as vendas de contratos futuros. Dentro dos recentes desdobramentos, o BC diminuiu o volume da operação compromissada, o que sugeria que a autoridade monetária poderia estar começando a assumir uma estratégia para deixar o mercado um pouco mais líquido para que esses recursos fossem enxugados pelos títulos públicos leiloados semanalmente pelo Tesouro Nacional.
Às 13h50, a taxa do DI janeiro de 2013 esticava para 11,84%, de um ajuste a 11,72%, com um robusto volume de 239.555 contratos negociados até então. O giro em meia sessão já se equiparava ao volume de cerca de 279 mil negócios de todo o pregão anterior na BM&FBovespa. O DI janeiro de 2012 marcava 11,47%, de 11,40%, com volume de 218.650 contratos. O DI janeiro de 2017 subia para 11,69%, de 11,63%, com giro de 20.015 contratos. O DI janeiro de 2021 indicava 11,74%, de 11,65%, com giro de 5.325 contratos.
"O final de toda essa história é a apreensão com um surto inflacionário no País", observou o chefe de pesquisa sobre emergentes da Nomura Securities, Tony Volpon, em entrevista por telefone de Nova York. Os estrangeiros estão zerando posições dadas no Brasil, em resposta ainda ao impacto das alíquotas vigentes do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que aumentou o custo de carregamento de posições no mercado brasileiro. Volpon
listou outras razões por trás do movimento de alta forte das taxas, como a apreensão sobre as implicações inflacionárias do afrouxamento quantitativo anunciado quarta-feira pelo Federal Reserve, a preocupação sobre a alta recente dos preços das commodities agrícolas, a demanda maior de bancos por bônus com rendimento ligado à inflação, além dos temores ligados à gestão fiscal que será conduzida por Dilma Rousseff e à ampliação da carga
tributária, como por meio da volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Para completar, o estrategista listou ainda que estrangeiros estão saindo de Brasil, em busca de papéis de renda fixa do Méx co. O país tende a se beneficiar da melhora da economia norte-americana e suas autoridades não se mostram tensas em relação ao fluxo de ingresso de recursos, já que o peso mexicano mostra-se com uma valorização "atrasada" em relação a outras moedas da região. "Com o IOF, caiu o spread onshore/offshore implied
yield e o Brasil ficou menos atrativo para carregamento.", afirmou. "No caso do México, a moeda mexicana é conversível e o BC mexicano não tem dado nenhuma sinalização de tributação", completou.
E os EUA revelaram um dado surpreendentemente positivo apenas dois dias após o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve abrir a torneira prometendo recomprar mais US$ 600 bilhões em títulos ao longo dos próximos oito meses. Foram criados 151 mil postos de trabalho em outubro nos EUA, muito acima da alta de 60 mil prevista por economistas. Na sequência do dado, o dólar subiu e provocou uma reviravolta para os preços dolarizados das commodities agrícolas. O açúcar, que chegou a renovar a máxima em 30 anos mais cedo, cedia 0,51% (contrato para maio) no início da tarde. Futuros mais líquidos do café, milho, trigo, algodão e cacau também recuavam, como informa o AE Agronegócios. Após a dívida bruta do governo geral voltar a subir em setembro, com o maior volume de operações compromissadas realizadas pelo Banco Central aparecendo como fator
determinante no aumento desse endividamento, o BC diminuiu o volume das operações compromissadas. O BC ofertou hoje R$ 5 bilhões em títulos públicos na operação compromissada semanal. Nas últimas semanas, as operações somavam R$ 7 bilhões. "Possivelmente, o governo está vendo que as compromissadas estão muito grandes e pode ser uma sinalização de que pode optar por transferir os volumes dessas operações para os leilões de títulos públicos semanais", disse uma fonte.
Em setembro, o volume de operações compromissadas cresceu R$ 15,604 bilhões em setembro na comparação com agosto e atingiu R$ 406,394 bilhões. Com esse aumento, a fatia das compromissadas na dívida bruta subiu de 11,4 pontos porcentuais em agosto para 11,8 pontos em setembro. As operações compromissadas são realizadas pelo BC junto aos bancos para controlar o volume de dinheiro em circulação no mercado. Com a diminuição do
volume de compromissadas, a secagem da liquidez poderá ser transferida para os leilões semanais de títulos do Tesouro Nacional.
"Com menos compromissada, o BC pode deixar o mercado meio líquido para direcionar esses recursos para o leilão do Tesouro, que viu qu eda da demanda de estrangeiros por títulos após a elevação do IOF", comentou Volpon. E segundo esse analista, as movimentações recentes do governo mostram que devem vir mais leilões de títulos. "Estão estragando o que o Tesouro conquistou: alongamento o prazo da dívida e melhor distribuição", completou, prevendo que a oferta de papéis longos deve continuar restrita.
Além dos R$ 5 bilhões retirados do sistema financeiro com a operação compromissada à taxa de 10,91%, com corte de 26%, o BC secou R$ 60,444 bilhões no over, à taxa de 10,68%, com corte de 35%.

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