quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mercados

Moedas – Entre seguir o call de alta das commodities dos bancos americanos e refletir a dúvida sobre a perspectiva de crescimento da China (que afetou as bolsas asiáticas), o mercado de moedas preferiu seguir a segunda opção e o Euro e o AUD tenderam a perder valor durante o dia mesmo com as commodities subindo forte.

BRL – Colou no racional chinês (como as moedas européia e australiana) e caiu ligeiramente. Mesmo com os gringos vendendo dólares (340 MM), acreditando no call de alta das commodities e consequente perda de valor do USD. A atuação do BC voltou a ser praticamente nula num dia razoável de negócios no interbancário (por volta de 2 bi).

Juros – O mercado ontem anulou boa parte da alta do dia anterior (importante registrar que não teve um trigger claro). A alta das commodities e o outlook da S&P foram deixados de lado. O mercado relevou até o leilão de hoje que exerce viés altista sobre as taxas futuras (principalmente com a sede de venda demonstrada pelo Tesouro nas semanas recentes – para tirar o atraso?). Duas notícias de atividade colocam viés baixista nas taxas: (1) a Abras acusou desaceleração nas vendas dos supermercados e (2) a FGV registrou queda na confiança do consumidor pelo terceiro mês consecutivo.

Bolsas – Ásia – Ainda presas à incerteza sobre o desempenho futuro da economia chinesa e com a situação japonesa pós-terremoto ainda indefinida (aos problemas econômicos se soma a perda de credibilidade do primeiro ministro Naoto Kan), as bolsas asiáticas fecharam em queda (na low do dia, com exceção de HK onde os investidores se entusiasmaram com a melhora das bolsas européias – erradamente porque depois caíram forte). Os investidores não se deixaram levar pela projeção de alta no preço de metais e óleo feita por bancos americanos e as ações de Raw Materials caíram.

Europa – As bolsas européias tinham que descontar a piora de NY no dia anterior (a Ásia também caiu ontem) e abriram em queda. Os dados divulgados na Alemanha (queda na confiança do consumidor) e em UK (PIB qualitativamente ruim) também justificavam a baixa. Entretanto desde a abertura, NY indicou alta para o dia (fundamentada no call de bancos americanos que prevêem alta para as commodities no curto prazo) e com isso a Europa inverteu o movimento e passou a subir (no fechamento apresentaram ligeira alta).

S&P – A nova alta das commodities e das ações de Raw Materials deram sustentação às bolsas americanas ontem (na 3ª não havia conseguido). Só o tempo irá dizer se a previsão de alta das commodities no curto prazo, feita por bancos americanos, prevalecerá ou o receio demonstrado por investidores asiáticos sobre China (desaceleração de crescimento) imperará sobre o movimento de preços.

Bovespa – Após três dias se descolando positivamente das bolsas de fora (ontem até que tentou prosseguir com o mesmo movimento), a bolsa paulista ficou praticamente no zero a zero e performou pior que lá fora. Assim como observado em outros mercados (juros e câmbio), o mercado não embarcou no call de bancos americanos de alta para as commodities no curto prazo (o desempenho das ações de Raw Materials foi muito mais fraco aqui do que em NY).

Commodities – A precificação seguiu o call (especulativo) de bancos americanos que apostam na alta do petróleo e metais no curto prazo. Os grãos acabaram indo no embalo dos dois outros segmentos.

Ásia – As bolsas asiáticas tinham que descontar o dia anterior (caíram desprezando a alta das commodities enquanto a Europa e NY fizeram o movimento inverso). Para ajudar ainda mais, os dados divulgados vieram melhores. Destaque para a confiança do consumidor na Coréia e os investimentos das empresas na Austrália (Seul e Sidney acusaram as maiores altas). Ainda a favor teve a subida das moedas – Euro e AUD – com notícias que podem fazer diminuir a preocupação com a dívida dos países periféricos na Europa. Os investidores asiáticos tiveram participação forte nos leilões de títulos (realizado ontem) em que os recursos serão utilizados na ajuda a Portugal. Além disso, surgiram rumores de que a China estaria interessada em ampliar essa participação. Capitaneadas pelas altas das ações de Raw Materials, as bolsas fecharam com fortes altas. A China foi a exceção (as ações de Basic Materials ou Oil & Gas não apresentaram o mesmo comportamento que nas demais praças). Hoje será divulgado o indicador que mede o sentimento dos empresários em relação aos negócios e será importante para dirimir as dúvidas sobre o crescimento que tem afetado as bolsas asiáticas nos últimos dias.

Commodities – Depois das fortes altas dos dois anteriores, hoje o petróleo e os metais recuam ligeiramente. Já os grãos se mantêm em alta.

Treasuries americanos – O dia foi de altas e baixas, mas no fechamento acompanhou a subida das bolsas e commodities. A pequena alta também refletiu a colocação de papéis no leilão tradicional. Hoje, a melhora dos mercados e a expectativa com o leilão de papéis de sete anos faz as taxas subirem novamente.

Europa – Apesar da queda no spread dos sovereign bonds (rumores de que a China poderia comprar títulos e ajudar no funding para Portugal) e da alta do Euro, as bolsas européias caem. O FTSE é exceção por causa do peso maior das ações de Raw Materials no índice.

S&P futuro – O índice chegou a subir na sessão asiática (timidamente), mas com a queda das bolsas na Europa, recuava 0,1 às 08:20.

- O fluxo cambial da semana passada voltou a ficar negativo depois de duas semanas apresentando saldo robusto (no da semana anterior com indicações de que o fluxo financeiro estaria voltando). Como era de se esperar, pois houve uma forte concentração de ACC/ACE na primeira quinzena do mês, o saldo comercial diminuiu. Já o financeiro voltou a ficar negativo evidenciando que o grupo deve apresentar maior oscilação semanal com as medidas adotas pela Fazenda. O grande problema que o governo enfrentará para diminuir/coibir a compra do Real é a volta dos superávits comerciais na contratação (pelo menos nos próximos meses que concentram o grande volume de exportações do ano).

As contas do BP de Abril mostra que houve resposta às medidas tomadas pelo governo no final de Março. Ao invés de se observar entrada, houve fluxo negativo nas operações de curto prazo e o fluxo das operações intercompanies se reduziu drasticamente. Entretanto, os números de Maio (que só serão abertos daqui a 30 dias) indicam que o movimento não persistiu – o fluxo voltou a ficar fortemente positivo. Vai demorar algum tempo para que se tenha uma avaliação mais precisa da conseqüência das medidas.

O ministro das finanças grego disse que se o país não receber o dinheiro da quinta tranche (12 bi de euros previstos para ser liberado em 26/06) o país será obrigado a declarar a impossibilidade de pagar as obrigações. Embora suas palavras não tenham nenhum tom de ameaça, ressaltam que a EU e o FMI não têm outra alternativa senão liberar o dinheiro. Do lado dos gregos, ou entregam o ajuste fiscal ou entram em default.

A perda do poder político em várias províncias pelo partido socialista pode esvaziar o governo do primeiro ministro Zapatero. Embora ele não admita antecipar as eleições que ocorrerão em Março do ano que vem, a situação econômica difícil pode fazê-lo mudar de opinião. Espera-se que seja sensato e não desafie o desejo popular se assim o for (as conseqüências econômicas seriam ainda piores).

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