O preço do minério de ferro no mercado à vista ("spot") chinês vem disparando neste início de abril em relação ao mesmo período de março, já com vendas fechadas em torno de US$ 156 a US$ 160 para a tonelada do produto com 62% de teor. Isso sinaliza que os preços do minério no terceiro trimestre podem ser reajustados em 20%, no mínimo, acima dos vigentes neste trimestre, conforme a nova sistemática de precificação do produto adotada pela Vale.
Relatório de mineração do Credit Suisse, que circulou ontem no mercado, avalia que os preços acertados entre a Vale e 97% de seus clientes para vigorar no segundo trimestre, podem estar sendo negociados com reajustes entre 85% e 90%. Ivan Fadel afirmou que não está preocupado com o percentual de alta acertado pela Vale. "Não fico decepcionado se o aumento que poderia ter sido de 100% for de 90%. O que é importante é que, uma vez definida a mecânica do IODEX (Índice IronOre), os preços vão começar a flutuar de acordo com o comportamento do mercado ('spot') e, por esta razão, vejo que a chance de termos preços do minério de ferro no terceiro trimestre acima dos do segundo trimestre parece muito grande".
Para o analista, o parâmetro do mercado (preço de referência que vai balizar os preços do terceiro trimestre que é calculado com base na média trimestral do 'spot' no período de março a maio) será acima dos US$ 125,90 calculado no período janeiro-fevereiro para balizar o reajuste do segundo trimestre. "Na minha conta conservadora, com base no 'spot' atual, se até o fim de maio perdurar 'spot' na faixa de US$ 155 a tonelada na China, os preços para o terceiro trimestre podem ficar no mínimo 20% acima. A média no período resulta US$ 150 a tonelada. Sobre US$ 125, gera esse percentual".
Por esse cálculo, Fadel assume um minério com teor de qualidade de 62% e preço do frete de US$ 28 a US$ 31 (Brasil-China), valor um pouco maior do que os US$ 18,58 fixados pela Vale para levantar os preços para os diversos tipos de diversos tipos de seu portfólio no período abril a junho de 2010.
Na avaliação do analista, são poucas as chances do preço do minério do terceiro trimestre baixar comparado aos deste trimestre. "Só se tiver uma correção muito forte nos preços do 'spot'. No mercado livre eles teriam de cair razoavelmente para ter uma média trimestral do 'spot' (março/maio) inferior aos US$ 125,90 de janeiro/fevereiro. O mercado não aponta para esse cenário. Ao contrário, está apertado em termos de demanda e com oferta reprimida".
Segundo o Credit Suisse, o jornal "The Australian" informa que a China Iron and Steel Association (Cisa) perguntou às siderúrgicas chinesas sobre um movimento de boicote à compra de minério da BHP Billiton, da Vale e da Rio Tinto por dois meses. Os analistas do banco suíço, Fadel, Bruno Savaris e Luiz Moreira, avaliam no relatório que se isso acontecer o impacto será limitado no mercado, pois a Vale, por exemplo, já disse ter fechado com 97% de seus clientes as novas condições de venda do produto. Sem falar que os estoques de minério nos portos chineses duram pouco mais de um mês e se a China continuar produzindo aço boicotando minério importado terá de acelerar a produção interna de minério, de custo mais alto.
Um relatório da Brascan Corretora confirma as expectativas de um mercado apertado de minério ao destacar o comportamento das exportações do produto em março, conforme dados da Secex. No mês passado, as vendas externas do produto tiveram forte evolução somando 27,4 milhões de toneladas, 17% acima de fevereiro e 23,5% a mais que no mesmo período de 2009. Já o preço médio subiu 5,1% no mês contra mês, alcançando US$ 52,3 a tonelada. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 71,9 milhões de toneladas, 25,8% acima do mesmo trimestre de 2009. Os analistas da Brascan, Rodrigo Ferraz e Pedro Montenegro mantém a expectativa de a Vale vender 305 milhões de toneladas de minério este ano.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário