A possibilidade de aperto monetário e valorização do yuan coloca a China
como tema central dos mercados internacionais nesta quarta-feira. O governo chinês dá novos sinais de que busca conter a inflação e a disparada do preço dos imóveis no país.
Além disso, mostra-se mais flexível ao início de um processo de leve apreciação cambial. Por enquanto, os investidores no exterior reagem com cautela, mas sem nervosismo. As principais bolsas da Europa operam perto da estabilidade e o petróleo recua levemente no início dos negócios.
A política monetária da China é um assunto sensível para os mercados. Como o país lidera a recuperação econômica mundial, um freio poderia desanimar as perspectivas de retomada mais firme atualmente em curso.
Hoje, a questão ganha destaque com o anúncio de que o Banco do Povo da China vai retomar amanhã a venda de títulos de três anos em sua operação regular de mercado, pela primeira vez desde junho de 2008. Com o objetivo de enxugar liquidez, a iniciativa é vista como mais um passo rumo ao aperto monetário, antes de uma alta de juros. Também ganha força a percepção de que o país poderá começar a flexibilizar a sua tão
criticada política cambial. O Financial Times diz hoje que a China prepara o caminho para mudanças, dias depois de os Estados Unidos terem adiado a decisão sobre a atuação no câmbio, que poderia classificar o país como manipulador.
Mais uma mostra da melhora das relações entre as duas potências é o anúncio de que o secretário do Tesouro dos EUA, Tim Geithner, irá a Pequim para encontro amanhã com o vice-premiê Wang Qishan.
O vice-diretor do Financial Research Institute, Ba Shusong, afirmou a jornalistas em Pequim que a China pode ampliar a atual banda de oscilação do yuan, para permitir que a moeda retome a valorização gradual interrompida em meados de 2008, como resposta à crise global.
"A apreciação do yuan é um aperto monetário, apesar de muito modesto, o que é ruim para o crescimento global", escreve Tim Condon, analista do ING. O banco projeta alta de 3% para a moeda, enquanto o UBS trabalha com estimativa de valorização de 5% neste ano. Hoje, a paridade com o dólar atingiu o nível mais baixo dos últimos dez meses, segundo a Dow Jones.
A estratégia da China vem como resposta à forte atividade econômica e temores de bolha no mercado imobiliário. Ou seja, mostra-se como um passo necessário de ajuste interno.
Também chega num momento mais positivo para o restante da economia mundial. Com a reação observada nos Estados Unidos e na Europa, a China agora tem companhia para ajudar na condução da retomada. Isso talvez explique a reação moderada dos investidores hoje a um eventual aperto monetário chinês. O sentimento dos mercados também é sustentado com a clara avaliação de que o Federal Reserve não tem a menor pressa para subir os juros nos EUA. Na ata da reunião do Fomc divulgada ontem, a autoridade mostrou que a economia está melhorando, mas que qualquer movimento de aperto depende ainda de um avanço substancial do mercado de trabalho. Hoje, Ben Bernanke volta a falar sobre os desafios da economia, às 14h30
(de Brasília).
Na Europa, a Grécia ainda traz preocupação e continua pressionando o euro. As informações de que o país busca mudanças no acordo com a União Europeia para tirar o Fundo Monetário Internacional (FMI) da jogada estressaram os investidores ontem, apesar da negativa do ministro de Finanças, George Papaconstantinou. Hoje, uma equipe do fundo chega ao país para oferecer consultoria sobre o orçamento.
Às 7h36 (de Brasília), a bolsas de Londres operava estável, enquanto Paris caía 0,10% e Frankfurt subia 0,01%.
O euro recuava para US$ 1,3376, de US$ 1,3406 no final da tarde de ontem em Nova York. O libra era cotada a 1,51955, abaixo da cotação de US$ 1,5278 na terça-feira. O dólar valia 93,99 ienes, de 94,31 ienes ontem.
No mesmo horário (acima), o petróleo caía 0,40%, para US$ 86,49, no pregão eletrônico da Nymex
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário